O Diálogo

O Diálogo. O diálogo é uma conversação entre 2 ou mais pessoas. Embora sempre pensei que o prefixo “di” significasse 2 e não “ou mais pessoas”. Conversação é o ato de conversar. Conversar nada mais é que falar, discorrer. Falar é se expressar por meios de palavras. Palavra é a unidade mínima da linguagem com um som que possui um significado.

O diálogo em si é uma coisa. Uma coisa um tanto quanto chata em seu significado literal. Claro que pode ser mais ou menos chato, dependendo de quem dialoga. Um diálogo entre dois marombeiros-pitbulls do jiu-jitso normalmente é plano, chato. Agora um diálogo entre dois culturetes sobre a evolução do movimento dadaísta sobre a cultura hebraico-sertaneja no âmbito antropofágico neo-baiano pode não ser um diálogo plano, mas ainda assim é chato. O diálogo em geral é chato pela suas limitações.

O objetivo do diálogo é comunicar, expressar idéias. Comunicar é o ato ou efeito de emitir, transmitir e receber mensagens, não importando o meio, seja através de sons, grafismos ou até símbolos gestuais. Apesar de tantos meios disponíveis, o diálogo se utiliza apenas da palavra. Em um diálogo, os gestos, expressões e onomatopéias são apenas coadjuvantes. Coadjuvantes são aqueles que auxiliam, que servem de escada para o ator principal, como o Dean Martin para o Jerry Lewis ou o Dedé para o Didi. Existem algumas exceções, como quando comentamos, com palavras em um diálogo, algo sobre a genitora do ouvinte e este retribui com um ato multimídia denominado “Soco na Fuça”. Neste caso o diálogo se torna um coadjuvante para o dito “Soco na Fuça”. O “Soco na Fuça” é comumente substituído pelo “Chute no Saco”, principalmente por interlocutoras do sexo feminino. Apesar de equivalentes, resultam em reações desiguais, tanto física quanto moralmente.

Pude provar tal observação da sub-utilização da linguagem em diálogos na viagem que fiz por alguns países latinos na América do Sul. Países estes vulgarmente chamados de Peru, Bolívia e Chile. Por ser um turista e freqüentar ambientes com muitos outros turistas, tive a oportunidade de entrar em contato com muitos gringos. Gringos é uma denominação pejorativa para turistas, principalmente americanos (Americanos do norte para ser preciso). Mas no caso podemos utilizar o termo “gringo” para qualquer branquelo com uma máquina fotográfica procurando um “hostal” barato em seus respectivos guias de viagem Frommers ou Lonely Planet. Portanto conheci gringos franceses, gringos alemães, gringos finlandeses, entre outros.

Apesar do Brasil ser um país latino e estar localizado na América do Sul, os brasileiros não falam a mesma língua dos supra citados Peru, Bolívia e Chile. Como todo bom brasileiro, minha língua nativa é o bom português. E nem sempre tão bom assim. E todo bom brasileiro sempre acha que sabe um bom espanhol. Espanhol este falado nos já supra-supra citados Peru, Bolívia e Chile. Mas na verdade o bom espanhol brasileiro é equivalente ao bom alemão americano (Americano do norte). Ou seja, apesar da mesma origem lingüística, português falado no Brasil é diferente do espanhol falado nos supra-supra-supra citados países.

Apesar dos países europeus estarem muitos próximos uns dos outros, há uma diversidade lingüística enorme. Portanto os gringos franceses não falam a mesma língua dos gringos alemães que vivem perto deles. Os gringos franceses, como todo bom francês, falam francês. Assim como os gringos alemães falam alemão, os gringos finlandeses falam finlandês e assim sucessivamente. O fato é: quase nenhum gringo fala um bom espanhol. Gringo este americano (do norte) ou não. Com exceção dos gringos espanhóis, estes, que pela lógica, falam espanhol. Lógico que esta lógica não se aplica na América, onde os brasileiros não falam brasilês nem os americanos (do norte) falam americanês. A lógica é um processo mais europeu que americano (do norte).

Em 1887 o médico judeu-polonês, de nome esquisito, Ludwig Lazar Zamenhof criou uma língua para auxiliar de comunicação internacional. Esta língua, denominada de Esperanto, era a esperança de uma língua universal. Universal não no seu significado cósmico, relativo ou pertencente ao universo, mas no sentido de abrangência mundial. A esperança do Esperanto foi quebrada pela influência cultural americana (do norte). Através do domínio financeiro, do marketing, de Hollywood e de música pop barata (no quesito qualitativo e não antônimo de caro, muito menos no sentido de inseto que apavora a dona de casa) conseguiram transformar a língua inglesa em uma língua, de certa forma, universal (não o estúdio de Hollywood). Língua inglesa essa falada na América (do norte).

Conseqüentemente, nós brasileiros, que não falamos espanhol bem, e os gringos (não necessariamente americanos – do norte), que também não falam espanhol bem, ambos falamos inglês, não necessariamente bem também. Obviamente o inglês não é a língua nativa de ninguém (exceto dos gringos americanos – do norte – e dos gringos ingleses – não necessariamente do norte), que resulta em algumas falhas na comunicação verbal, devido a uma menor amplitude lexical. Comprovando tal fato: eu não saberia escrever “menor amplitude lexical” em inglês (se em português já foi difícil…). Estes buracos na linguagem provocam a impossibilidade do diálogo, já que este é composto apenas de palavras. Uma gringa francesa teve que sair do diálogo propriamente dito e fazer malabarismos, gestos e onomatopéias para conseguir me explicar que torceu o tornozelo em uma trilha que fez. Eu levei uns quinze minutos gesticulando para conseguir comunicar para um gringo alemão que alguns jogadores de futebol do oriente médio eram chicoteados se perdessem um jogo. Admito a falta da praticidade de tais atos, mas são bem mais divertidos que o simples e puro diálogo composto apenas por palavras. Divertido no sentido oposto ao de chato. Uma simples conversa se transforma em um prazer quase sinestésico, com mais cores, movimentos e sons.

Este texto está meio confuso? Está meio chato? (Chato no sentido oposto de divertido.) Então espera aí que vou fazer um desenho.

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9 Comentários on "O Diálogo"

  • Juliana K. diz

    Não preciso nem escrever, né! Seus colegas já falaram tudo, excelente crônica, garoto!!

  • E eu, como tenho um teleencéfalo altamente desenvolvido e vi Ilha das Flores, acho que você arrasou com essa crônica. Crônica é um texto curto que serve para encher os jornais e sites. Jornais e sites são coisas que as pessoas, que têm teleencéfalos altamente desenvolvidos, lêem. Teleencéfalo altamente desenvolvido…

  • Hilária!

  • mc diz

    Eu diria mais: teleencéfalo desenvolvido e polegar opositor!

    Crônica complexa e verdadeira!

  • Camila diz

    Só faltaram os porcos e os tomates!

  • Rafael diz

    Férias é bom, não é? Veja só o que faz com as pessoas.

  • Kris diz

    Ai….tô tonto…

  • malena diz

    doidão! hehehe…

  • Algum Daoud diz

    A cronica poderia ate ser espirituosa, se nao mexesse com sentimentos de família…a cronica utilizando o fato de um atleta ter morrido durante uma corrida teria o mesmo espirito que alguma utilizando a morte do jogador do Sao Caetano e outros…

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