Xique no Urtimo

“Essa crônica é dedicada a todos os paulistanos que nunca viram uma vaca. Se você não é um deles, acredite, eles existem.

No feriado de 9 de julho, viajei para Escarpas do Lago, na agradável companhia de minha namorada (a Má) e seus pais, que aqui serão denominados sogrão e sogrinha. Vamos lá, para quem não sabe, Escarpas do Lago é um condomínio localizado na beira da represa de Furnas, ao lado da cidade de Capitólio (uma metrópole de cinco mil habitantes). Esse lugar é algo próximo do paraíso, montanhas, lago, varanda, rede (muito importante), comida mineira, doces mineiros, sem contar a exaustiva rotina baseada em dormir e comer e dormir e comer.

Nada disso é muito interessante, eu sei. Mas, neste feriado, algo diferente aconteceu. Saímos da rotina. No sábado, sogrão e sogrinha foram à missa, e eu e a Má fomos tomar uma cerveja em um boteco ao lado. Combinamos de nos encontrar depois na quermesse. Muito bem, paulistanos de plantão:

Quermesse = festinha junina típica do interior, onde se pode tomar quentão, comer hot dog, enviar correio elegante (um e-mail romântico), jogar bingo, e etc.

Tudo estava indo muito bem, comemos e bebemos um tanto. Sogrão havia comprado umas cartelas de bingo, cujo prêmio era de R$ 200,00. Sentamos para esperar o resultado do bingo.

Observem isto. Antes do bingo começar, eram realizados leilões itinerantes das mais variadas coisas: doces, frangos assados, galinhas vivas, etc. Os carinhas saiam correndo pela salão gritando: sete real! quem dá mais? 20 real! olha a rosca! Entre esses leilões, o destaque foi um palmito acompanhado de um galo preto, vivo, por sinal. O valor inicial era de 20 reais, porém, o preço foi subindo aos poucos. Resultado: depois de uma hora carregando o palmito de um lado para o outro, o rapaz vendeu aquele tronco verde de 1,5 metro e mais ou menos 10 quilos por oitenta e um reais. Não é mentira, oitenta e um reais. Cômico, um palmito por 81 reais. Pense bem, naquele tronco não tinha nada perto de 10 reis de palmito. Como um economista iria explicar isso: “”No mercado das festas juninas mineiras, o palmito é um bem escasso e portanto não há muita oferta, por outro lado é um bem muito cobiçado ocasionando muita demanda, então temos o palmito mais caro do mundo””. Uma briga por um tronco de 1,5 metros, um tronco de 81 reais, acho que nem na parada gay isso ia valer tanto.

Para terminar, ficamos no local até onze horas e nada de bingo. Sogrão já havia comprado 10 cartelas, no começo da festa. Aha! Armadilha. Caímos em uma armadilha de marketing (lá é ,marketi). É amigos, acreditem, há muito que se aprender por aqui. Eles fazem um putz evento (isso aqui é considerado um GRANDE evento). Logo no começo te vendem um monte de coisas que você só vai ter chance de ganhar lá pela uma da manhã e, enquanto isso, você come, bebe e participa do leilão. Isto é, torra dinheiro, mais por inércia do que por vontade. A verdade é que nossos amigos de minas sabem muito desse tar de marketi, e acham ele xique no urtimo!!!”

Compartilhe!

3 Comentários on "Xique no Urtimo"

  • Ma diz

    Bom, é claro que o primeiro comentario tinha que ser o meu, CARIDOSA namorada que sou.

    Muito boa a cronica!!!!(que e claro conta com minha participaçao!!! hahaha)

  • vandreza diz

    Murilo, Você não existe!!!!!!!!!!!!!

    E pelo jeito o palmito de R$81,00 também, não! Um beijo, van

  • Wagner diz

    KD A MARDITA VACA?!?!?!?!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *