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O Caso Soninha - (30-11-2001) “Na semana passada, a capa da Época criou uma certa polêmica. Eu sabia que algo tinha acontecido, mas não sabia exatamente o que. Logo em seguida, a Soninha foi demitida, e aí eu fiquei sem entender nada. Pois bem. Ontem eu assisti ao programa “”Observatório da Imprensa”" na TV Cultura. Um programa muito bom, que discute a mídia, o jornalismo em todos os seus aspectos e vários outros temas ligados à comunicação. Para minha surpresa, lá estavam ontem Soninha e um representante da TV Cultura debatendo o tema da demissão dela. Esse tema é polêmico por vários motivos, porém, antes gostaria de discutir outro aspecto. O grande causador da bagunça toda foi a revista Época, ao meu ver. Jornalisticamente, eles fizeram tudo certo. Entrevistaram pessoas que podiam opinar com conhecimento e serenidade sobre a questão, escreveram de forma clara e até construtiva e ainda levantaram questões importantes como a descriminalização e o uso medicinal da droga com visões opostas. Do ponto de vista da reportagem, tudo foi feito de forma coerente e profissional. Pois bem, na hora de fazer a capa da revista, os jornalistas se traíram, e da pior forma possível. Eles se tornaram publicitários, no sentido mais claro da palavra. Aquela capa não foi criada para gerar polêmica, nem para ser informativa, e ainda por cima não retratou o conteúdo da matéria. A capa da revista, naquele momento, se tornou uma peça publicitária, em todos os aspectos, do texto ao layout. Espero não ter ofendido os puristas mas, sinceramente, é isso o que eu acho. Outro detalhe importante: a TV Cultura tomou uma decisão muito rápida, muito impensada, e até agora não conseguiu justificar de forma coerente a ação. A percepção que se tem é de que a emissora buscou se proteger. Mas não vamos ser injustos, como bem disse Alberto Dines: a emissora permitiu ser criticada, de forma dura inclusive, dentro de seus próprios estúdios. Outro aspecto importante: como uma apresentadora e radialista com a experiência da Soninha deixou-se, ingenuamente, enganar pela revista? Afinal, é do conhecimento de todos a famosa “”edição jornalística”". Por isso, é até indicado não falar frases longas com conteúdo de efeito. Mas quem vai ficar se policiando o tempo todo? Isso me faz pensar no seguinte: até que ponto a imprensa é confiável para suas fontes? E se deixarem de ser, até quando vamos poder confiar (o que já não é muito possível hoje em dia) em nossos meios de comunicação?” |
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volponi - link - volponi@cronistasreunidos.com.br 30-11-2001 02:34
Eu sou suspeito pra falar? Não sei, mas esse assunto gerou bastante discussão. Ainda bem. A Cultura está de certa forma certa e de certa forma errada. A Soninha está de forma certa e de certa forma errada, também. E o mesmo acontece com a Época. A reunião de três erros e acertos simultâneos gerou uma situação muito interessante. E o resultado foi o debate. Legal, Murilo, por não deixar a peteca cair. |
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Ricardo Alter - ricardob@fox.com 30-11-2001 03:19
Temos que saber qual é o poder de uma pessoa chave da imprensa como ponto de influência. É tão diferente assim eu dar uma declaração dessa ou a Soninha? Se o Paulo disser que utiliza charutos para outros fins e o Clinton disser o mesmo, o que mudará o ato em si? A pessoa é mais importante que o fato? |
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Ricardo Alter - ricardob@fox.com 30-11-2001 03:20
Ops!!!! Acho que encontrei o tema para meu |
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Renata - renata.natacci@jwt.com 04-12-2001 01:56
Mi, Muito legal você ter levantado esse assunto aqui. Agora, não entendi muito bem sua posição perante o fato de a capa ter se tornado, como você bem apontou, uma peça publicitária. Você acha isso errado? |
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Murilo Moyses - link - mumoyses@hotmail.com 04-12-2001 09:09
Re, só para responder a sua pergunta. Acho que fazer da capa da revista um anúncio é uma irresponsabilidade imensa. Uma publicação jornalistica, por mais que tenha que agradar anunciantes, precisa ter credibilidade e seriedade. Se você observar com calma, alguns anunciantes estão deixando de veicular em publicações que não respeitam a etica jornalista ou até a ética geral. |