Inutilidade Pública

“Nenhum homem sabe porque realmente ele existe. Muitas teorias já foram formuladas, muitas esquecidas e muitas radicalmente defendidas. Mas ninguém ainda provou qual a nossa utilidade. De onde viemos? Para onde vamos? O que devemos fazer? O que está além da inexorável rotina da vida: nascer crescer e morrer?

Um religioso otimista diria que Deus criou a Terra com todas as suas características, recursos e ambientes para que todos os seus habitantes pudessem exercer os valores da irmandade, fraternidade, paz, respeito ao próximo, amor e outras coisas mais.

Um religioso pessimista diria que Deus cometeu um erro ao criar esse maldito ser humano (que seria sua obra-prima) e que todos eles serão julgados, condenados e queimados no fogo do inferno. Não podemos esquecer que Deus também inventou o conceito de sala de espera quando criou o purgatório.

Um religioso sádico diria que Deus se diverte com tudo que nós fazemos. Fica vendo tudo em seu home teather. A vantagem é que quando ele quer mudar alguma coisa na trama, ele consegue.

Um ateu acha que tudo é muito normal, esse negócio de morrer, nascer. Ele acha que quando morrer vai virar pó, assim como sua consciência. Para ele igreja é uma bela construção, um lugar para meditação e reflexão. Nada tem um papel divino, as coisas são como são, seguem as leis da natureza.

Mesmo assim, nenhum desses seletos grupos conseguiu chegar perto de alguma conclusão. Será que somos causa? Ou será que somos conseqüência? Nossa existência pode ser fruto da força da natureza (Deus, ou qualquer outra entidade) que nos criou do nada.

A diferença do homem para os outros animais é o tal do dedo em formato de pinça (isso tem um nome bonito mas eu não lembro). Porém, eu acho que a verdadeira diferença, que nos gerou tantos benefícios é a mesma que nos causa essa frustração. O homem escolhe para onde quer ir, quando e como. Ele tem uma infinidade de possibilidades que me parecem ausentes de outros animais. E talvez por ter esse leque tão grande, já não sabemos mais qual o nosso papel. Enquanto isso, acho que continuamos sendo uma grande inutilidade pública. “

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7 Comentários on "Inutilidade Pública"

  • Volponi diz

    Dedo em forma de pinça? E da incrível capacidade de tomar cerveja e assistir futebol ao mesmo tempo, vc não fala nada?

    Inutilidade por inutildade, desprefiro tirar cravinhos do rosto. Mas, já que o papo tá meio pra Gênesis, tudo bem.

  • paulo roberto vasconcellos diz

    E o maneta, como fica? O macaco tem esse dedo opositor. Eu até conheci um que assistia futebol tomando cerveja. Era gente fina. Corintiano, mas gente fina.

  • Na verdade, o polegar opositor nos permite formar a pinça com os dedos, e isso faz a maior diferença. Lembranças da aula da Tia Jurema, hehehe

  • Pedro diz

    Aliás, arqueologicamente falando, a caixa craniana dos nossos vovôs só começou a crescer depois dessa história da pinça, ganhando vários litros de volume com o passar dos anos. Ou seja, sem o polegar opositor, hoje nós não teríamos a pizza.

  • Dani diz

    Como dedo em formato de pinça? Nem parece que prestou vestibular há pouco tempo (em relação a mim). Polegar opositor, Murilo.

    Super-útil diga-se de passagem.

  • Dani diz

    “Cronistas Reunidos” também é cultura. Inútil.

    :o)

  • Paulo diz

    Com certeza os litros que o Pedro falou que a gente ganhou vêm da cerveja. O lotado calendário brasileiro nos dá tempo para beber muito, enchendo primeiro a caixa craniana e depois a barriga. É claro que só podemos fazer isso graças ao polegar opositor. Essa é a relação direta dele com a evolução.Tudo isso, claro, dentro da mais rigoroso raciocínio científico.

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