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Crime Hediondo - (10-04-2002)
“Sexta-feira à noite, onze horas e meia, no décimo quarto DP de narcóticos.
- Já tinha visto algo assim, delegado?
- Nunca. Em 15 anos de Corporação, nunca vi nada igual, Sargento.
- Isso é crime hediondo, não é?
- Não sei nem como classificar esse tipo de coisa. Só sei que me embrulhou o estômago.
- Metade da equipe vomitou, a outra tirou licença por 15 dias.
- Dias terríveis que estamos vivendo, Sargento. Dias terríveis!
Sexta-feira à tarde, duas horas, numa empresa.
- Maurão, você não acredita…
- Que foi? O que, Dedé?
- A Cidinha vai lá em casa hoje. É hoje! É hoje!
- Não acredito! Aquela gostosa? Na sua casa?
- Larga disso, Maurão, larga disso. Vou fazer um jantar bacana, com música ambiente, velas…
- Você e jantar bacana não combinam muito…
- Como não? Vou pedir uma pizza toda invocada…
- Hahahaha…haha..ha, desculpe…pizza?
- Isso, a melhor da cidade: aquele queijo derretido, tomate, orégano, hummm… acho que hoje vou comer bem, se é que você me entende, hehe.
Sexta-feira à noite, sete horas, na casa do Dedé.
- Oi, Cidinha! Entra aí. Sinta-se em casa.
- Nossa Dedé, legal seu buraco, hein? Brincadeirinha…
- Agora senta aqui, princesa, que eu vou pedir nossa janta.
Dedé já estava com tanta fome que nem sabia se ia querer sobremesa depois da janta. Passaram-se vinte minutos:
- Pronto, Cidinha, tá aqui a melhor pizza da cidade, espetacular.
- Legal, mas posso ir pegar um tempero na cozinha, Dedé?
- Pode, pode, eu vou lavar as mãos e já volto. Ah! Todos os temperos ficam na porta da geladeira.
Sexta-feira à noite, nove horas, na casa do Dedé.
- Teje preso meliante, já para o camburão.
- Mas eu sou inocente! Ela que começou, eu perdi a cabeça…
- Levem o meliante daqui. Sargento, venha comigo. Vamos examinar a cena do crime.
O delegado e o Sargento chegam na sala de jantar:
- Arghhh, eca, urghhhh… Meu Deus. Não é à toa que ele ficou louco.
- Manda chamar o fotógrafo, mas prepare o coitado, a cena não é bonita.
- Sargento, põe aí no laudo: o meliante foi lavar a mão enquanto a vítima foi buscar essas coisas na cozinha. O meliante volta para a sala, vê a vítima jogar, indiscriminadamente, essas, arghhh, coisas na pizza. Meliante perde a cabeça e espanca a vítima até a morte. Pronto.
- Agora vamos embora que eu não aguento mais ver isso.
- Vamos, delegado, vamos sim! Agora me diga uma coisa: aquilo na pizza, era maionese ou mostarda?”
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