28-25-02-33-18-45

“Eduardo era um rapaz normal, tinha se formado em administração de empresas há cinco anos. Ele trabalhava como gerente de operações de uma companhia que vendia fraldas descartáveis. Morava com os pais em um apartamento no centro da cidade, nada luxuoso, mas confortável. Ele estudava francês nas segundas e quartas e jogava bola nas terças e quintas. Sexta, invariavelmente, ele saia com os amigos para beber uma cerveja.

Em uma dessas agitadas noites de sexta feira, algo diferente aconteceu:

– Que foi, Eduardo? Por que essa cara?
– Eu nunca vou ser rico….
– Que história é essa agora? Você nunca tinha pensado nisso antes…
– É que eu andei pensado… vender fraldas não leva ninguém a lugar nenhum. Mulher rica eu não vou arranjar. Herança, então, nem pensar…
– Joga na loteria então!

Todos na mesa riram e, de repente, os olhos do Eduardo começaram a brilhar.

– É isso, vou jogar na loteria. Toda semana vou jogar no mesmo número.
– Vai perder o seu dinheiro nisso, Eduardo? – perguntavam os amigos.
– Perder não, vou investir. Vamos. Me ajudem a escolher os seis números.

Os amigos olharam perplexos, mas resolveram ajudar o colega na sua insanidade, que acreditavam, ser momentânea.

– Vamos ver… João, qual a sua idade?
– 28 anos.
– Pronto, 28 vai ser o primeiro número. Qual outro?
– Que tal contar quantas cervejas nós já tomamos?
– Isso. Deixa eu ver. Foram 25. 25 é o segundo número.

Depois de muitos cálculos avançados, algoritmos e outras contas mirabolantes, eles chegaram na seguinte seqüência: 28-25-02-33-18-45.

Daquele dia em diante, Eduardo toda semana ia na mesma casa lotérica fazer sua aposta. Mesmo quando se mudou com Juliana e seus dois filhos para Pinheiros, ele sempre ia na mesma lotérica da São Bento. Não é preciso dizer que o tempo foi passando, ele se casou, teve os dois filhos, comprou uma chácara em Itu… mas nada do prêmio da loteria. Passaram 40 anos, muitas megasenas acumuladas e prêmios especiais e Eduardo adoeceu.

Sua doença não tinha cura e resolveu ficar em casa com a esposa, os filhos e os netos. Gostaria de morrer perto de seus entes queridos. Ainda assim, obrigava o filho mais velho, que havia feito a promessa 20 anos atrás, a apostar na loteria.

À beira da morte, na sua última semana, Eduardo resolveu que iria parar com aquela maluquice. Iria morrer em paz e quem sabe Deus o perdoasse por tanta ganância. Pediu à família que não apostassem e que não vissem o resultado.

Já era noite, numa quinta-feira. Passava o jornal de economia na TV. Eduardo ia de mal a pior. Nesse momento, o apresentador do jornal recebeu um papel, com aquelas notícias não planejadas, e disse:

– Acabou de sair o resultado de megasena acumulada, antes do previsto: 28-25-02-33-18-45.”

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2 Comentários on "28-25-02-33-18-45"

  • trágico! que maldade! e, ainda por cima, o cara tava doente!

    isso que é cronista sádico !!!

    :p

  • Ricardo diz

    Menino mau ! Sabia que um dia o seu lado negro iria aflorar!!

    Pelo menos vc teve coragem de ir em frente, mesmo com a possibilidade de ser tachado de psicopata! Parabéns!

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