Amizade Dolorida

“Depois de um episódio que me aconteceu resolvi revisar meus conceitos sobre o relacionamento de amizade moderno.

Estávamos, eu e mamãe, fazendo compras no supermercado. Lembro-me bem, estava procurando um queijo para petiscar antes do almoço. Foi aí que aconteceu:

– Eles crescem mais rápido do que a gente imagina
– OI! Como vai? (ela esqueceu o nome dele)
– E aí? Quem é esse moção (sou eu) ? O mais velho?
– É! Está grande né? (podia ter dito algo melhor)
– É…
– Eles crescem mais do que a gente consegue acompanhar! (tomei um tapão nas costas)
– É…..
– É verdade, os outros dois também estão bem grandes.
– É….
– Olha, meu amigo, se você visse seu pai há 25 anos… hehehe! (mais um tapão)
– É…. (já cansei de apanhar)
– Bem agora temos que ir…
– Sabe o que é pior? Encontrei todo mundo careca, gordo e acabado. Ainda bem que eu continuo assim.
– É…. (que panaca)
– Bem, vamos agora..
– Tchau, campeão! (cotovelada no estômago, vai entender!)

Não sei se vocês conseguem imaginar a situação, mas eu apanhei de um louco que eu nunca tinha visto, e minha mãe nem lembrava o nome do rapaz. O problema é que eu apanhei por que ele quis ser camarada. Como você pode revidar tal agressão? É impossível! Imaginem como seria a conversa:

– Oi! (tapão)
– E aí? (chute na canela)
– Tudo tranquilo? (soco no estômago)
– Excelente. (tapa na orelha)
– A gente se vê! (cotovelada no ombro)

As pessoas mediriam o grau de amizade pela violência despendida em cada golpe, ou ainda pelo número de golpes despendidos. Quanto mais porrada, maior a amizade.

Por outro lado, teríamos os benefícios dessa insanidade declarada, por exemplo: seria o fim da falsidade nas relações; – Ela passou por mim e nem puxou meu cabelo, aquela vaca!; Aquele cara outro dia me espancou no shopping e hoje me deu um tapinha na testa, é um mascarado mesmo!”

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3 Comentários on "Amizade Dolorida"

  • paulo diz

    É engraçado. Quando terminei o colegial, a maioria dos meus amigos foram para a Poli. Depois de muito tempo, fui visitá-los na Poli. Nunca tomei tanta porrada. E aí! Pum! Quanto tempo! Poft!… Parece que lá na Poli essa sua idéia já está sendo testada. Deve ser aquelas coisas de afirmação da masculinidade, sei lá. Coisa de homem pra homem.

    Mas é estranho porque a mulherada quanto mais íntima mais fica adepta do bofetão. Minhas primas adoram me espancar, sei lá eu porque.

    Enfim, muito legal essa crônica, você merece uns belos tapões nas costas.

  • paulo diz

    ah! o título ficou muito bom.

  • van diz

    querido, que saudade de vc! Fiquei morrendo de vontade de te dar uns tapinhas… se cuida! beijo enorme, van

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