Na Fila

“Uma das coisas mais modernas, sofisticadas, desejadas e almejadas é a fila. Quem não esteve, quer estar e quem já esteve, volta sempre. Eu nunca entendi o porquê dessa angústia por se colocar em ordem de chegada e ir entrando aos poucos. Isso é o famoso “”cheguei primeiro”” levado ao extremo. Sempre fui um rebelde, sou contra as filas. Odeio filas.

Fazendo algumas observações recentes, descobri algumas explicações para a enorme quantidade de filas que há por aí:

Situação 1:
Estréia de alguma coisa. Você PRECISA ver antes de todo mundo. Fila não é impedimento algum. Se necessário, você atravessaria até um tornado para ver o tal show, filme, jogo de futebol…

Situação 2:
Fila dá status. Esse negócio de entrar primeiro em show e museu não está com nada. O legal é encher o peito e falar:
– O show foi animal!! Fiquei 4 horas na fila.
E depois ouvir:
– Ohhhhhhh. Deve ter sido muito bom!
No mundo real, o tal Sérgio não tem moral. É o chato que entra primeiro e não tem amigos.

Situação 3:
Encontrar pessoas. Isso mesmo, na fila você encontra as pessoas. Às vezes, é um ritual, uma rotina. Fila do pão, fila do banco, fila da lanchonete. Fila é o melhor lugar para ouvir e ser ouvido, ninguém vai sair correndo dali mesmo.

Algumas combinações podem ser explosivas, imagine o Leopoldo pegando uma fila de duas horas para assistir Matrix?

Eu, pessoalmente, continuo odiando filas, tanto que até fugi de uma delas para escrever esta crônica. Façam fila para ler.”

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5 Comentários on "Na Fila"

  • Fabiane Secches diz

    Adorei o “No mundo real, o tal Sérgio não tem moral. É o chato que entra primeiro e não tem amigos.”

    E adorei ainda mais você não ter ficado explicando didaticamente que o Sérgio é o talzinho do American Express, que só compra pela Internet e leva a Ana aos EUA por uma bagatela, embora em dólares.

    Gosto desse humor corajoso. Nem todos vão entender a piada, mas quem entender, vai rir em dose dupla. É quase um pacto com o leitor, aumenta a sensação de intimidade. No final da sua crônica, já me sentia como sua amiga íntima.

    Acho que essa mania de pegar filas quilométricas para conseguir assistir a um filme, a um show ou a um jogo, ou para conseguir o que quer que seja, tem tudo a ver com psicologia. Para nos permitimos um momento de prazer e felicidade, temos antes que passar por um momento de dor e sofrimento, ou não nos sentimos merecedores daquilo. Não sei porque bobagem nos sentimos culpados quando somos apenas felizes. Ou tem a ver com aquilo de que o proibido, o difícil, é mais gostoso. Sem fila, é fácil demais. Chega a perder o gostinho.

    Eu que não sou masoquista nem nada, compartilho da sua opinião e reafirmo que filas são uma chatice. Ainda bem que não havia uma para deixar esse comentário! Beijos e parabéns.

  • Sérgio diz

    Bom, o que posso dizer. Eu sou o Sérgio, só que aquele que pega filas e tem amigos.

    Comentários:

    A situação 1 é para os Nerds…

    A situação 2 é para os PIMBAs…

    A situação 3 é para o Gabão…

    Piadas internas a parte: Murilo, vc é nerd. Abs.

  • Ricardo Alter diz

    Eu também odeio filas!!! Brasileiro gosta tanto de fila que até a única raça de cachorro que se pode dizer brasileira é do Fila-Brasileiro…. que coisa viu.. Eh mundo Cão!!!!

  • anninha diz

    Também adorei o texto, Mu! E também odeio filas (as de gente, não os cachorros). Por este motivo, estou saindo (e indo viajar e…) com o Sérgio. (obs.: ele é mesmo chato e não tem amigos, mas ele não pega fila… o que posso dizer em minha defesa?!)

    Ah! Tem coisa melhor do que encontrar aquele velho amigo com quem não fala há anos bem no comecinho da fila? Tem coisas que o dinheiro não paga, principalmente quando não se tem Amex…

    Adorei!

  • Ma diz

    ate filas chatas ficam boas quando a companhia é boa gatinho…. beijinhos

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