Surrealismo as duas e meia da manhã

“Duas e trinta da manhã. Eu estava dormindo, lógico. Toca o telefone do quarto do hotel. Eu demoro para acreditar que é verdade, deve ser alguém do Brasil. Alguém sem nenhuma noção de fuso horário. Deixa eu atender.

– Alo.

Uma voz de mulher rouca diz:

– Preparado para mais uma emoção.

Primeiro eu pensei, que brega, ninguém mais fala isso. Depois eu me toquei que algo havia acontecido.

– Que foi?
– Minha bolsa.
– O que é que tem ela?
– Ficou lá?
– Lá? Onde é lá?
– Na esquina do Gato?
– Esquina do gato?? Ah a balada. Você foi na Balada?
– Você pode descer?

Pensei, olhei para a mala toda arrumada. Pensei de novo.

– Espera uns 20 minutos.

Eu desci e lá estava ela brigando com o concierge do Hotel.

– My bag is there. They won´t give my bag back.
– Lady, please, just pick your passport and go back there.

Eu educadamente interrompo os dois:

– Que merda é essa?
– Eu não entendo o que ele fala?
– Eu também não quero saber, agora vê se pega o seu passaporte logo.

Ela se foi. Eu sentei no lobby, olhei para o concierge e disse: Surreal. Ele levantou os ombros e foi embora.”

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