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Surrealismo as duas e meia da manhã - (10-02-2003)

“Duas e trinta da manhã. Eu estava dormindo, lógico. Toca o telefone do quarto do hotel. Eu demoro para acreditar que é verdade, deve ser alguém do Brasil. Alguém sem nenhuma noção de fuso horário. Deixa eu atender.

- Alo.

Uma voz de mulher rouca diz:

- Preparado para mais uma emoção.

Primeiro eu pensei, que brega, ninguém mais fala isso. Depois eu me toquei que algo havia acontecido.

- Que foi?
- Minha bolsa.
- O que é que tem ela?
- Ficou lá?
- Lá? Onde é lá?
- Na esquina do Gato?
- Esquina do gato?? Ah a balada. Você foi na Balada?
- Você pode descer?

Pensei, olhei para a mala toda arrumada. Pensei de novo.

- Espera uns 20 minutos.

Eu desci e lá estava ela brigando com o concierge do Hotel.

- My bag is there. They won´t give my bag back.
- Lady, please, just pick your passport and go back there.

Eu educadamente interrompo os dois:

- Que merda é essa?
- Eu não entendo o que ele fala?
- Eu também não quero saber, agora vê se pega o seu passaporte logo.

Ela se foi. Eu sentei no lobby, olhei para o concierge e disse: Surreal. Ele levantou os ombros e foi embora.”



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