Fazenda

“Era uma fazenda muito bonita. Nunca havia visto uma assim. Não que tenha visto muito delas. Li sobre várias, e as via na minha imaginação. Ou minha imaginação é pouco fértil, ou essa fazenda é um espetáculo. É melhor não pensar nesse tipo de coisa.

E não é que os galos realmente cantam ao nascer do sol. Nunca tinha ouvido, admito. Não é lá uma das coisas mais agradáveis do mundo também. Mas assim que saí da casa e olhei para o horizonte eu entendi por que o galo insistia tanto em cantar, como se nos chamasse. Uma vista linda. Principalmente pela mistura de cores no solo, como se o sol emprestasse todos os tons de vermelho e amarelo para se misturarem no verde da soja e formar uma das paisagens mais bonitas que já havia visto.

O galo cantou quase que por uma hora.

Depois veio o café da manhã, feito lá, só com as coisas de lá. O supermercado mais próximo era longe demais até para ser considerado próximo. Existe vida longe de um supermercado sim, e é muito boa. Tem um gosto diferente. Um gosto inerente aquilo que se come, e não um gosto fabricado e injetado. Um gosto proprietário.

Passamos a manhã aguardando pelo almoço.

Após o almoço fomos dar um passeio de cavalo. Cheguei muito perto de um deles e quase desisti. Era grande, orgulhoso e ao que me parecia, não tinha o mínimo respeito por mim ou qualquer outro dos meus que lá estavam. Relutante subi, ou montei, é a mesma coisa. O passeio foi muito agradável, o cavalo se comportou bem. Pena que eu não sabia ficar pulando do jeito certo em cima do bicho. Minhas costas ainda reclamam.

A tarde sentamos com os caseiros da fazenda para trocarmos nossas histórias. Percebi que as nossas narrativas são tão folclóricas quantos os deles. Ambos fugindo da realidade ou exagerando fatos para criar um clima e um astral que agradasse a platéia. Rimos muito naquele final de tarde, nada de histórias tristes.

No deitar do sol, não se ouvia quase nada. Os galos não cantavam, os pássaros não piavam e as vacas não mugiam. Nem o vento ousava balançar as copas das arvores. Uma cena de silêncio e inércia.

Terminara o dia na fazenda.”

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