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Acordou - (20-08-2005)

“Acordou. Havia deixado a televisão do quarto ligada. O abajur também. Pensou - para que serve um abajur mesmo? A conta de luz virá alta esse mês. Tirou o cobertor e sentou na cama, fitando o armário - preciso trocar esse pedaço de merda. Calçou as pantufas. Eram azuis. Se dirigiu calmamente ao banheiro, apoiou as mãos na pia e se olhou no espelho. Tentava enxergar um homem diferente, mas a imagem refletida teimava em permanecer lá - tenho que fazer a barba, é quarta feira.

Tirou o pijama, verificou se a toalha estava seca. Espreguiçou-se lentamente. Bateu com a mão no lustre - merda de teto baixo, apartamento de anão. Ligou o chuveiro e aguardou que a água esquentasse. Xampu e depois o condicionador. Lavou o corpo com um pouco de pressa. O frio era muito e ventava pela janela que havia esquecido de fechar. Enxugou-se dentro do box. Ainda estava com vapor da água quente.

Havia separado a roupa do dia, ontem, como sempre. Calça preta, camisa branca - de novo, vou de garçom, preciso de roupas novas. Calçou os sapatos, impecáveis. Foi ao engraxate ontem. Tinha muito orgulho disso. Pegou a pasta, as chaves do carro, carteira, caneta e celular. Não gostava muito dele. Considerava um incômodo, uma coisa perturbadora.

Tomou uma xícara de café e desceu até a garagem. Abriu o carro. Levantou a tampa do porta mala. Jogou a pasta. Riu, adorava jogar a pasta! Ligou o motor e saiu da garagem um pouco mais rápido que o usual. Estava com um olhar decidido. Olhar que não lhe era comum. Sempre havia sido relutante em tomar posições definitivas sobre a sua vida.

No primeiro semáforo ele olhou para a moça no carro do lado:

- Moça, abra o vidro por favor.
- Pois não.
- Você é muito bonita. Eu adoraria jantar com você hoje a noite. Depois do jantar com certeza eu a levaria para minha casa, e faríamos sexo até o amanhecer. Eu te amo!
- Vá para o inferno!

Sorriu novamente. Saiu suavemente com o carro. Sempre quis fazer algo como aquilo. Hoje era o dia ideal. Não haveria nenhum tipo de represália, culpa ou constrangimento. Foi lá e falou. Na avenida, ele avistou a grande árvore. Sempre quisera saber qual tipo de árvore era aquela. Tronco largo, porém baixo. Copa grande e robusta. Uma belíssima árvore. Fazia sombra em toda praça.

Olhou para o relógio no braço esquerdo. Oito em ponto. Perfeito. Acelerou com tudo. Primeira, segunda, terceira e quarta. Já estava a cento e vinte quilômetros por hora. Tomou duas multas e fechou dois carros. Quando subiu na calçada da praça, sentiu um pequeno impacto. A guia era baixa. Atropelou o carro de cachorro quente que não deveria estar lá. Calculei errado, pensou. Bateu na árvore, morreu.”



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Rafael…. • 23-08-2005 04:00

Bem Bem, s— espero que poucas pessoas levem isso para o lado pessoal ……tentando levarm em conta como uma maneira de seguir com a vida …..heheheh

Gabi - link - gabi_blanco@hotmail.com • 24-08-2005 10:51

Bom, muito bom. Gosto mais desse estilo.

malena - cmalena@hotmail.com • 24-08-2005 11:15

haha! gostei!!!!

Kris - kris@cronistasreunidos.com.br • 24-08-2005 11:30

Perturbado!

José Ignacio - jicmendes@gmail.com • 25-08-2005 08:43

Que medo…

José Ignacio - jicmendes@gmail.com • 28-08-2005 08:13

Murilo… pega táxi, pelamordedeus!

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