|
Estádio - (30-01-2006)
“Uma linda manhã de sábado, na bilheteria:
- Você tem certeza?
- Eu venho aqui toda semana.
- Não me parece correto.
- Mas é assim.
- Não me conformo, se tem o número, o lugar é marcado.
- Considere como uma formalidade.
- Mas não é uma formalidade, é uma burrice.
- Bem, é desse jeito e pronto.
- É por isso que eu não vou a estádio.
- Larga de ser fresco.
- Na minha casa eu tenho o meu lugar marcado, a minha cerveja e a minha castanha de caju.
- Ah, no estádio é quase igual.
- É nada.
- É sim, veja bem, vamos pegar um lugar bom numa parte do estádio que eles não vendem ingresso a mais, lá tem cerveja e sementes.
- Sementes?
- Sim, não é bem castanha.
- Não.
- É amendoim.
- Credo. Quem come isso? E a cerveja do estádio é sem álcool até onde eu sei.
- Bem, é.
- Entendi, é idêntico à minha casa.
- Não seja velho, você vai gostar.
Um dia depois, no estádio:
- Quanta gente.
- Acho que venderam uns trinta mil ingressos.
- Mas cabe?
- Lógico. É um estádio. Olha para cima, já entramos.
- Nossa.
- Viu. Eu te disse que você ia gostar.
Vinte minutos depois, com um saco de pipoca e um copo de guaraná Dolly:
- Mau aí, não tinha amendoim.
- Pipoca, lugar de pipoca é no cinema! Nem vou falar do guaraná.
- Calma, olha a torcida, olha o espetáculo.
- To olhando. Parece uma micareta.
- Micareta? Porque?
- Olha a música, olha como eles pulam, olha como está apertado.
- Tem razão.
Poucos minutos antes do jogo começar:
- Emocionante, não?
- Muito. Acho que vou gostar dessa coisa de vir ao estádio.
- Te falei! Ninguém vai acreditar.
- Esqueci uma coisa importante. Onde a gente vê replay?”
Aproveite e veja mais crônicas no Arquivo de Murilo
|