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A Vida é uma Novela - (06-11-2006)
“Fim de tarde em São Paulo, chuva torrencial, mais de cento e cinqüenta quilômetros de congestionamento. Marcio e Larissa viam televisão em seu recém mobiliado apartamento. Casados há 2 meses, experimentavam a tão fantástica vida a dois, compartilhando seus momentos de alegria juntos ao assistir a novela das seis: Minha Grande Paixão do renomado autor Cláudio Pacheco.
- Meu amor, essa Maria Clementina é muito má.
- Quem meu docinho?
- A Maria Clementina. Se você parasse de ler essa revista maldita de carros um minuto, não precisava fazer essas perguntas idiotas.
- Calma docinho, eu me distraÃ, realmente ela é muito má mesmo, onde já se viu dar para o filho bastardo para irritar o ex-marido que está pegando a filha dela. Um absurdo.
- CÃnico.
- Não meu docinho, é sério.
- A gente tinha um acordo, você lembra?
- Lógico que lembro, estou cumprindo a minha parte.
- O combinado era que verÃamos todas as novelas juntos, e que você prestaria atenção e levaria a sério para termos assunto.
- Mas meu amor, eu estou assistindo, mesmo enquanto eu leio eu consigo prestar atenção nos diálogos.
- Eu não agüento tanta mentira, vou chorar.
- Meu docinho, não seja dramática..
- É a única coisa que temos em comum e você não respeita.
- Mas eu odeio novela, você sabe.
- Então porque fez o acordo comigo.
- Sexo gratuito pelo resto da vida.
- ….
- Mentira meu docinho, eu fiz porque eu te amo e porque era muito importante, mas convenhamos, é mala assistir três novelas, ler todas as revistas de fofoca e ficar comentando depois com as suas amigas.
- Mala é ter um marido mentiroso. Aposto que já tem uma amante.
- Que é isso? Ficou louca?
- E aposto que é uma loira.
- Você deve estar usando drogas.
- E ontem quando você me disse que tinha reunião até tarde, você não ficou no trabalho. Levou essa vagabunda para o motel. Confesse.
- Estou perplexo demais para falar.
- Pois é isso mesmo, quem cala conscente. Minha mãe tinha razão, esse casamento foi um erro.
- Docinho, você está indo longe demais.
- Vou fazer minhas malas.
- Docinho me escute, eu confesso.
- Ahá. Pego no flagra.
- Eu não tenho amante, eu toda vez que atraso, vou para o bar do Zé ver os jogos do campeonato, esse negócio de novela está me matando.
- A traição é pior do que eu pude imaginar. Adeus puto.
- Calma Docinho, volte, eu te amo.
- Cala-te homem, mantenha a dignidade.
- Não se vá.
- Adeus.
- Volte para ver a novela das oito pelo menos.”
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