Cinco Horas

Caiu no chão, com o nariz virado para a porta. Sangrava muito e estava com problemas para respirar. Não tinha mais forças, gastara tudo no confronto, até que o derradeiro golpe foi dado. Tentou balbuciar algumas palavras, mas não conseguia. A dor era sufocante e qualquer tentativa de mover o rosto causava-lhe ainda mais dor. Vomitou. Seguidas vezes. Doía a garganta, a boca, perdera alguns dentes. Ainda não conseguia respirar.

Ouviu passos vindo do corredor, tentou gritar por socorro. Conseguiu expelir apenas alguns grunhidos, bem baixos. Sentiu um pano lhe limpado a boca. Um pouco de alívio que logo seria interronpido por algo que não estava esperando. Agarrada foi colocada numa cadeira, e durante o desagradável trajeto, percebeu que boa parte dos seus ossos haviam sido quebrados. Ele riu:

– Como é se sentir assim?
– Hum, hum
– Impotente.
– Hummm
– Abandonada?
– Hum.
– Sem palavras nem ações.
– Hum, Hum, Hum.
– Ninguém consegue te ouvir né? Uma pena.

Chorou, mas não era um choro comum, era mais parecido com um porco sendo morto, algo perturbador, numa escala de volume que o vizinho, o velho Sr. Raguto, não conseguiria ouvir. Ele continuava a rir, aproveitando seu momento, curtindo cada segundo daquilo.

– Eu vou te explicar o que eu fiz.
– Hum, hum.
– Assim você poderá levar essa história com você para o inferno.
– Hummmmm
– Eu abri a porta com a cópia da chave que eu fiz, da chave que você me deu no nosso aniversário de 1 mês. Você veio até a entrada ver o que aconteceu e dei-lhe um soco na cara. Apenas para constar, foi muito bom. Enquanto você estava desmaiada, peguei a mareta que trouxe da obra aqui do lado e quebrei boa parte dos seus ossos, alias é por isso que você vai morrer, hemorragia interna seguida de falência múltipla de órgãos. Só depois vi que você estava acordada e que não havia sentido dor com os meus golpes. A má notícia é que bem, foi menos sofrido, a boa, porém é que você está tetraplégica, perdeu todo e qualquer movimento do pescoço para baixo.

Parou de chorar e começou a pensar que estava num sonho, e que tudo isso acabar logo.

– Agora sua vadia, eu vou deixá-la para morrer. Te vejo no inferno.

Ela o viu saindo e esperou acordar. Esperou por 5 horas e morreu.

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