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Porque eu prefiro os Turcos. - (13-09-2007)

Vinda de um descendente de Armênios, essa frase parece um pouco estranha, eu sei. Mas ao longo do texto acredito poder convencê-lo, caro leitor, de que a morte, o estupro a tortura nem sempre são o pior que pode acontecer a um ser humano e a sua linhagem. Houve um aperfeiçoamento da máquina de destruição do que os Romanos chamavam de homem livre.

Ontem, dia doze de setembro de dois mil e sete eu estava com muita vergonha de ser brasileiro. Lógico que não é um sentimento novo. Às vezes eu penso que eu nasci aqui, mas não tenho nada a ver com o típico brasileiro. Eu não voto como ele (tá bom, votei uma vez, mas olha no que deu), eu não me alimento como ele, eu não gosto das músicas dele, nem do teatro, muito menos do cinema. A comida é boa, mas não se compara com a esfiha e o quibe da vovó.

Algo me diz que alguns valores passados de pais para filhos são transcontinentais. Minha mãe sempre repetia incansavelmente algumas regras, no modelo básico dos dez mandamentos: não roube ninguém nunca; não engane as outras pessoas; não traia ninguém que tem confiança em você; cuide de quem precisa; não aceite bala de estranhos e muito menos desrespeitar garotas. Eu faço tudo isso, todo dia, desde que eu nasci. Mentira. Faço quase tudo, quase todo dia. E assumo.

Aflige-me quando as pessoas a minha volta descumprem essas regras básicas em público, ocupando cargos importantes. Quando não é a minha volta, está estampado no jornal, na TV, em todos os lugares. Aflige-me mais ainda que todo mundo acha isso normal.

Todo mundo rouba, então vou roubar também. Todo mundo compra CD pirata, então vou comprar também. Todo mundo vai no show do chiclete, então eu vou também. A massificação é um fenômeno inexorável, mas pelo amor de Deus, vamos massificar alguma coisa boa para variar.

Acredito que a minha família mudou para o Brasil no começo do século para tentar dar uma vida melhor a sua ninhada, afinal naqueles tempos, os turcos queimavam, matavam e estupravam armênios como um mineiro come pão de queijo. Não era lá um dos melhores lugares para se estar. Mas eu me pergunto e pergunto para você, distinto leitor. Aqui é?



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Pérola - pbneves@yahoo.com.br • 13-09-2007 15:28

E, nós, como assumimos a responsabilidade para mudança?
Eu ainda acredito no Brasil, temos os instrumentos legais, mas não temos os direitos garantidos, a vó além de fazer um delicioso quibe, tb dizia que saco vazio não para de pé, tampouco pensa e nessa conjuntura, tampouco é educado. Eu ouço a música do povo, a voz do povo, piso essa terra que pisa o povo, e com as raízes lutdoras do povo armênio, eu posso até envergar, mas não quebro, como boa Boudak…Mas da minha cadeira no computador eu reflito, nas ruas eu ajo…
Vamos lutar juntos pela transformação. A indignação isolada não basta…Vergonha de ser brasileira não. Vergonha dos mecanismos opressores a que o Brasil sempre foi exposto e que resultam nesse contexto absurdo, ilegal, e corrompido que nos remete a 500 e poucos anos atrás…
Compartilhando, debatendo…
Desculpem o desabafo!
Beijos

Rafael • 13-09-2007 15:37

apoiada companheira! rsrs

Zé - link • 14-09-2007 04:20

Quem acha que a solução para seus problemas é trocar de país, vai acumular muitas milhas aéreas.

Murilo Moyses - link • 17-09-2007 11:23

É mesmo José? Nos conte então sobre as coisas terríveis que acontecem aí na Suiça.

Zé - link • 18-09-2007 03:22

Hum… Que tal o fato de não gostarem de quem não é suíço? Na casa dos outros, a gente nunca passa de convidado - a não ser que você tenha um milhão de dólares para depositar no banco deles.

Verônica Almeida - link - veronica-almeida@uol.com.br • 13-10-2007 20:36

Pois é, estes argumentos falaciosos são horríveis - O presidente não estudou, por que vou estudar?, O que tem a ver, não? Não entendo.

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