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SAC(o) - (10-08-2001) - No caso o senhor gostaria de estar reagendando ou reclamando? Não que o interesse deles em inteligência artificial tenha alguma coisa a ver com o bem da humanidade. Longe disso. Acho que um dia um pesquisador ligou para um SAC e ficou pendurado ouvindo uma rádio brega. Depois de amargar a espera, tentou de todos os jeitos fazer a mocinha entender o seu problema. Mas ela estava armada com um escudo defletor de argumentos, impenetrável pela lógica. Era como falar sozinho. Naquele momento ele se perguntou se “mocinha do tele-atendimento” não é só um modo carinhoso de se referir a um objeto inanimado. E pensou como seria bom se do outro lado tivesse uma máquina que ouvisse as queixas e respondesse de acordo. Uma que funcionasse de verdade e não repetisse sempre as mesmas quatro respostas pré-programadas. As pesquisas começaram e logo ficou claro que a dimensão do problema era muito maior - assim como os benefÃcios que a Inteligência Artificial traria. A incapacidade daquele cientista se fazer entender pela mocinha - do tele-atendimento ou qualquer outra - era a mesma desde o começo dos tempos. Aquele era o modelo mais puro de comunicação entre homens e mulheres. Assim, criar uma mocinha de tele-atendimento automática e inteligente passou a ser a fronteira final. Chegar nela é conseguir a chave para entender as mulheres. O idioma das mulheres é o maior dos mistérios que o homem já enfrentou. No começo os homens não se importam, porque meninos não querem saber de meninas ( e vice-versa ). Mas chega o dia em que nasce um interesse mútuo na aproximação. É quando descobrimos que homens e mulheres falam lÃnguas diferentes. Passado o desespero inicial, o homem se volta para as lições dos seus antepassados e descobre os dois únicos jeitos de vencer a barreira do idioma feminino. O primeiro é apelar para o instinto delas, coisa que só consegue quem é bonito, atlético ou planta bananeira. Aos outros 99% da população masculina resta a segunda forma: aprender a falar um dialeto próximo da lÃngua delas. Isso é tão difÃcil quanto aprender sozinho uma lÃngua morta. Como em qualquer pesquisa séria sobre algo completamente desconhecido, o passo inicial é atirar para todos os lados. Com tempo, persistência e sorte, os resultados começam a aparecer. Tinta, por exemplo, pode virar imagem e sugestão, e palavras e sons se transformam em poesia e sonho. Essas descobertas abriram caminho para um entendimento mÃnimo entre os gêneros, mas a jornada até que homens e mocinhas falem a mesma lÃngua ainda é longa. Tive que reagendar. |
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