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O W da Questão - (17-09-2001) Queria passar em branco e não comentar os acontecimentos da semana passada. Resisti aos primeiros impulsos e fiquei firme mesmo quando a poeira foi - literalmente - baixando e novas perspectivas do ataque aos EUA ( ops, falei ) foram surgindo. Enquanto eu mantinha meu silêncio todo mundo falou alguma coisa, e no fim nenhum ângulo da questão deixou de ser comentado. Abordaram a surpresa e brutalidade do atentado, seus efeitos no mundo, possÃveis conspirações, o sofrimento das vÃtimas, a ação da mÃdia, a iminência da guerra, a persistência da ameaça, a satisfação secreta do mundo, tudo. Como não tenho nada a acrescentar ao que já foi dito, vou falar de TV. As comédias de situação podem ser sobre qualquer coisa. De uma criança superdotada a uma advogada que tem alucinações com Al Green; de uma turma dos anos 70 a uma dos 90 fazendo um show sobre nada. Nos sitcoms a história surge de desencontros e mal entendidos do cotidiano, e a graça está na normalidade levada ao ponto da anormalidade. Nesses programas o bem e o mal não existem de forma absoluta. Ao contrário. Neles, até a amoralidade tem vez, e por causa disso os personagens convivem com sentimentos e ações contraditórias. São mais parecidos com a gente. Mas por pior que seja a confusão em que se metem, no fim as coisas sempre se ajeitam. Sem ninguém ter perdido nem a piada nem o amigo. No fundo sitcoms são histórias de pessoas convivendo umas com as outras. O cenário polÃtico norte-americano no século XX foi dominado pelos dramas. E não à toa, já que sempre havia um inimigo a ser combatido. Nos primeiros cinquenta anos foram os alemães, e depois, nos quarenta seguintes, a URSS. Enquanto o paÃs lutava contra o vilão vermelho, na sua sala de estar os americanos assitiam ao bem triunfar sobre o mal em outras batalhas. E assim foi, até o dia em que os EUA deram uma de astros do horário nobre e finalmente destruiram o maligno império socialista. Eles só não contavam com o vazio que veio depois da vitória. Pela primeira vez em cem anos eles não tinham com quem brigar. Estavam sem inimigos. Tentaram eleger outros adversários, como japoneses e árabes, mas eles não vingaram. Por falta de opção os russos continuaram donos do papel, agora como máfia. Mas não era a mesma coisa. Afinal, mafiosos são bandidos comuns, certo? Ficou claro que o drama não servia mais. Não cabia num mundo sem vilões. Um carismático governador sulista entendeu a situação e descobriu como viver com a vitória do ideal americano. Graças a isso chegou à Casa Branca, inaugurando a Era do Sitcom. Ele era perfeito para o papel. Em pouco tempo suas peripécias incluiam escândalos sexuais, empreendimentos imobiliários mal explicados e a escapulida da convocação para a Guerra do Vietnã. E ainda por cima sabia tocar saxofone e fumar maconha sem tragar. Durante vários anos, lÃderes do mundo inteiro passaram pela sala de estar oval dos Clinton com seus problemas. Quase nenhum foi definitivamente resolvido, mas o impasse nunca persistiu. De um jeito ou de outro a confusão se desfazia e os episódios terminavam com sorrisos e apertos de mão. Depois de oito temporadas o público cansou das estripulias de seu presidente. Em uma eleição que fez jus ao gênero dos anos Clinton - e ela merece uma crônica só para ela - um cowboy bronco e beberrão ganhou o papel. George W. Bush foi eleito o novo mocinho dos EUA. Em apenas sete meses o novo presidente-herói mostrou a que veio. Como não tinha um inimigo claro, começou a provocar todo mundo para ver se alguém se candidatava. Jogou o tratado de Kyoto no lixo, largou os palestinos - coadjuvantes preferidos de Clinton - à própria sorte, e boicotou a conferência internacional contra o racismo. Parece que o plano deu certo e ele finalmente descolou uma guerra. O inÃcio do governo Bush esclareceu a cena final do governo Clinton. Antes dos novos astros chegarem, a equipe de Clinton tirou o botão da letra “W” de todos os teclados da Casa Branca - para aporrinhar o Bush, impedindo que inicial que o diferenciava do pai fosse digitada. Todos achamos que era a piada final, mas na verdade aquilo era o começo do novo drama. Removendo essa tecla, Clinton e seus assessores tentavam tirar do alcance de Forrest Bush duas palavras: World e War. Valeu a tentativa. |
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Renata - aquele do Valter Tompsi 18-09-2001 11:40
Opa! Quer dizer que eu sou a primeira? ÊBA! |
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Renata - aquele do Valter Tompsi 20-09-2001 05:58
Poxa, só eu falo? Vamo falá, aÃ, povo!!! |