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Rotina - (10-09-2001) Quarta-feira, finzinho de tarde ensolarado. Perfeito para um chopinho ou dois. O Fabão estava se preparando para dar o primeiro gole do segundo chope quando o Jair chegou. A essa gentil troca de palavras seguia-se sempre um abraço e dois tapinhas do Jair nas costas do Fabão. Era de praxe entre eles. Esse era o ritual de saudação dos dois amigos, que sempre se encontravam à s quartas feiras no finzinho da tarde - ensolarada ou não, porque todas elas são perfeitas para um chopinho - sempre ali mesmo, naquele mesmo bar, naquela mesma mesa. Eles sentavam nos mesmos lugares - o Fabão de costas para a parede, o Jair de costas para o balcão - e o Jair sempre chegava quando o Fabão ia começar o segundo chope. Fazia anos que era a mesma coisa, sem mudar nada. Uma rotina sagrada. Ao contrário da maioria das pessoas, o Fabão e o Jair não tinham nada contra a rotina. Nem podiam. Graças a ela que eles conseguiram se manter unidos por tanto tempo. Não fosse o bom e velho chopinho crepuscular das quartas, talvez eles não tivessem resistido à s turmas diferentes, à s profissões diferentes, aos casamentos. Para eles a rotina é uma espécie de fio de Ariadne, guiando-os pelo labirinto caótico do cotidiano. São poucos os que pensam assim. O normal é uma relação conturbada com a rotina. E até dá para entender o porquê. Se não desenrolamos o novelo direito podemos acabar presos em um emaranhado de pequenas obrigações. E aà não adianta brigar, senão corremos o risco de partir a meada e piorar ainda mais a situação. Sem o fio vagarÃamos a esmo pelo labirinto do dia a dia, sem saber onde estivemos nem para onde devemos ir. Com um fantasma desses é fácil não perceber as vantagens de viver bem com a rotina. E olha que ela pode ser bem tranqüila. A gente até pode dar umas escapadas de vez em quando, fingir que ela não está lá. Ela não liga. A rotina sabe que precisamos dela, que sentimos a sua falta. O Jair que o diga. Na quarta passada ele chegou no bar do jeitão de sempre. - Fala, viado!!! |
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Ricardo - ricardo@cronistasreunidos.com.br 10-09-2001 10:28
Nada como o bom e velho Paulão pra defender (e convencer!) algo tão mal falado como a nossa boa e velha Rotina! |
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Paulo - paulocoelho@cronistasreunidos.com.br 11-09-2001 03:14
Que mico!! Valeu, cara!! |
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paulo roberto vasconcellos - prvasc@terra.com.br 11-09-2001 12:22
Achei engraçado vc usar o xingamento como saudação. Realmente é assim que a gente (pelo menos em sampa) cumprimenta os amigos mais chegados. Engraçado isso: o xingamento é um sinal de intimidade. Um bom cronista consegue captar essas ironias do cotidiano. Parabéns. |
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paulo roberto vasconcellos - prvasc@terra.com.br 11-09-2001 12:23
ops, é “disfarça e arruma…” |