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Tipos - (07-02-2002) - Credo, que lugar. Essa foi a primeira impressão da Milu quando entrou na casa. Ali, até o novo era velho. Tinha tapetes por cima do carpete, quinquilharias transbordando por móveis amontoados e até cortinas mal-humoradas. O único detalhe dourado desse ambiente vinho era a lâmpada na outra ponta do hall, imagine. O seu decorador ia ter um troço se visse isso. Ah, se ia. Ela estava nisso quando um homem finalmente apareceu lá no finzinho do corredor. Ele era meio esquisito. Magro, mas baixinho - ao contrário da maioria dos personagens magros - e tão passado quanto a casa. As suas impressões sobre a Milu também não foram das melhores. Sabe como é, um homem como ele não está acostumado às cores berrantes das suas roupas e dos seus gestos. Mais uma nova rica, suspirou. E apresentou-se: - Boa tarde, madame. No fim das contas, a Milu saiu daquele lugarzinho desagradável com assunto para o jantar. Não que fizesse diferença, já que ela falava mesmo quando não tinha o que dizer; o Alceu, o marido, fazia a sua parte e fingia ouvir. Assim iam todos os jantares. Por isso ele quase não prestou atenção nela falando daquele senhor esquisitérrimo, de como o Vuig ia achar a casa dele um horror, e muito menos do que ela tinha ido fazer lá. Até, é claro, ouvir o preço. - Isso tudo é para quê, mesmo? |
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paulo roberto vasconcellos - prvasc@terra.com.br 08-02-2002 10:47
Com efeito, o mancebo faz tipo. Além disso, a implicância dele com “fonte” não se sustenta. “Fonte” é o conjunto de caracteres tipográficos, se ele faz tipo, também faz fonte. O bom do seu texto é que ele não toma partido. Tanto a nova rica, alvo fácil, quanto o senhor refinado estão expostos à crÃtica. |
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paulo - paulocoelho@cronistasreunidos.com.br 08-02-2002 11:47
Eu já vi, e imagino que você também, gente com essa exata cisma. E mesmo sem ter a noção exata da idéia de conjunto e unidade, sempre achei a discussão estéril. Tudo resume-se a se fazer entender, seja por tipo, seja por fonte. Funciona como uma metonÃmia, certo? Quanto ao partido… Bem, eles são como, são… hehehehehehe |
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paulo - paulocoelho@cronistasreunidos.com.br 08-02-2002 11:49
E, para mim, ela tem noção de que a sua figura é alvo de desprezo, mas não o seu dinheiro. E usa isso para jogar com o cara. |
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paulo roberto vasconcellos - prvasc@terra.com.br 18-02-2002 02:20
É verdade. Pensando bem, ela leva uma vantagem sobre ele por ter consciência de seu desprezo. Já o figura, quer dizer, o tipo, não. É difÃcil para um tecnólogo ter esse tipo de autocrÃtica. Conheço o tipo. eles apostam demais no conhecimento que possuem e acabam perdendo a noção de realidade, aà se apegam a detalhes ridÃculos e sem importância. Acontece muito isso com gramáticos. Naquele pseudo poema, gramaticão, eu quis mostrar um pouco isso. É engraçado eu não ter reparado muito nessa sutileza do seu personagem. |