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Intransitividade - (07-03-2002) ” (…) Tudo que se via era a nuvem de pó rastejando pela estrada, se dissolvendo e refazendo a cada poucos metros. Só muito depois, quando finalmente venceu a ladeira, que o velho carro apareceu ao lado do vigilante carvalho na beira da estrada. O motor vinha soluçando havia alguns quilômetros, mas se recusava-se a faltar a seu dono na mão. A recompensa veio na forma de uma breve parada. O valente carrinho descansaria enquanto ele checava a carga. João desceu, esticou as pernas, e logo pôs-se a fazer o inventário. Ou, pelo menos, algo que para ele se assemelhava a um inventário. Era tanta coisa abarrotada no veÃculo que mesmo que quisesse não conseguiria levar a cabo uma operação que seguisse as normas internacionais. Havia pacotes no assoalho, no banco de passageiros, no banco de trás, no porta-malas e até mesmo no porta-luvas. O carro estava completamente tomado de pacotes de biscoito. Os olhos de João passeavam pelas sacolas, contando-as uma a uma, à s vezes duas ou três vezes a mesma. Esses pequenos erros lapsos não o impediram de alcançar a quantidade contada no momento da partida. Falhas de controle e metodologia à parte, não havia qualquer motivo para desconfiar que os números não fossem os mesmos. A viagem tinha sido tranquila, e assim continuaria até a cabana. Retomou a estrada e, pouco tempo depois, chegou.” - Pronto? PS: Infelizmente não posso continuar. Como sabemos, “chegar” é verbo intransitivo, e por isso dispensa complementos. |
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Rafael - rafaelmamute@ig.com.br 08-03-2002 04:08
Inicialmente, esta crônica me lembrou uma reportagem na revista VEJA que falava sobre os autores sem-estilo. Porém, logo vi que se tratava de uma obra metalinguÃstica. |
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Renata - renata.natacci@jwt.com 15-03-2002 03:49
Não fala isso que ele surta!!! |