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Cosa Nostra - (05-04-2002)

Noite fechada. Já não tinha quase ninguém circulando do lado de fora. Lá dentro, um único homem. E ainda por cima parado bem embaixo da lâmpada, de modo a mergulhar seus olhos nas sombras que tomavam o restante do rosto. A cena era dramática. Tão dramática que o segundo homem, que surgia apressado pela portinhola, diminuiu o ritmo dos seus passos. Para não destoar, sabe como é que é. Quando os dois homens estavam frente a frente, o segundo disse, em tom grave: – Consultei os livros. – E então? Pausa. O primeiro homem tira um cigarro do maço, mas não acende. O outro toma coragem, e responde em tom ainda mais grave: – Só na segunda feira. Nova pausa. O homem coloca o cigarro na boca. Desta vez, acende. Traga uma, duas vezes, na terceira a réplica sai, devagar: – Segunda… Você sabe…. que isso…. não…. resolve o… problema. – Sei sim, senhor. – e o primeiro, corrigindo o ritmo (a fala arrastada ficou esquisita) – Você entende que não está me ajudando. – Entendo, senhor. – Mas eu sei que você quer me ajudar. Não quer? – Muito, senhor. – Então, o que o seu caderninho diz? – Só na segunda-feira. – Não estamos chegando a lugar nenhum. E eu fico muito irritado quando não chego a lugar nenhum. – Desculpe, senhor. Não tem ninguém que eu possa chamar a essa hora. – Não dá para esperar até segunda. Preciso de alguém agora. – Entendo a sua urgência, senhor, mas realmente não tem ninguém disponível. – Você não está me deixando alternativa. Vou ter que…. cancelar o negócio. – e deu uma longa tragada, satisfeito por ter acertado a pausa. Desafiador, soltou a fumaça na cara do outro homem. – Vamos… Para que criar tanto caso? O rapaz alisava sem parar o cabelo cheio de gel. Estava nervoso. A fumaça continuava à sua volta. O primeiro homem tentou acabar com o impasse. – Olha, garoto, não me interessa quem vai fazer o serviço. Só preciso dele feito. Você vai me ajudar ou não? – Eu… eu… tem uma pessoa…. – Ela pode fazer isso? Agora? – Não sei…. Vou ligar para ela. Um telefonema depois, estava tudo arranjado. O homem anotou o endereço e saiu. Dali a quinze minutos apareceu no local combinado. Foi direto para a moça no balcão. – Você é a Lurdinha? – Depende. Quem quer saber? – Eu sou um amigo do Laércio. – Certo. Ele falou comigo. Disse para te passar na frente. – Você pode fazer então? – Posso. Vai demorar meia hora. É só a barra da calça mesmo? – Isso. – Tá bom. O senhor pode esperar ali – concluiu, apontando um canto. Ele murmurou um “ótimo” e se acomodou no sofá. Enquanto esperava, jurou que nunca mais ia deixar para comprar terno em cima da hora.



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Murilo Boudakian Moyses - mumoyses@hotmail.com • 03-05-2002 08:10

Que coincidência, conheço duas pessoa que já passaram por isso. A ambientação ficou show Paulão.

manda - link • 08-05-2002 05:37

:D

ficou bem divertido!

adorei ;)

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