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Presunto - (17-09-2002) A turma se juntava para falar da vida mais ou menos todas as semanas. Já era um evento semi-tradicional, apesar da sua periodicidade não ser lá grandes coisas. Reconheciam o fato, mas se defendiam dizendo que uma vez marcada a reunião, a reunião estava marcada. Ninguém podia faltar. Até porque senão a noite não seria completa. É que o acordo era que quem cedesse a casa não precisava se preocupar com mais nada. As comidinhas e bebidinhas eram responsabilidade dos visitantes. Eles decidiam os itens da lista e a sua divisão. Desta vez o encontro era no apartamento do Aurélio e da Bete. O Beto e o Rafa chegaram com o vinho, a Jô com mais um namorado novo e umas azeitoninhas e o Tonho com o gelo. Sempre deixavam o gelo para ele levar de sacanagem. Diziam que ele já estava acostumado, já que era o único que sempre aparecia sozinho. Só estava faltando o Deco para completar o cardápio. Como a falta dele significava uma ausência importante - a da comida - ele era o assunto. Ficaram ciscando em volta do tema um tempo, mas finalmente a Bete fez a pergunta que todo mundo queria fazer. - Será que ele vem? A discussão agora era entre o Aurélio, o Beto, o Tonho e a Jô. Eram eles, mais o Deco, a formação original. A Bete e o Rafa já tinham uns bons anos nas costas, mas sabiam que quando a conversa começava assim era melhor dar uma de agregado mesmo e ficar de fora. - O pior é que ele se ofereceu para trazer a comida. Sacana. Podia ter avisado que não vinha, a gente se virava. A maldade na pergunta não passou despercebida. Aliás, o Rafa fazia questão que as maldades no que ele falava não passassem despercebidas. E morria de satisfação quando elas incendiavam o ambiente. O Beto ainda ensaiou uma censura, mas era tarde demais. A Jô já tinha se animado. - É mesmo. Será que dessa vez a Cris vem? - Esquisito…. O que será que está acontecendo? O clima estava ficando cada vez mais carregado. Então, para desanuviar o ambiente, o namoradinho da Jô resolveu descontrair: - Hum…. O cara estranho, a mulher sumida… Diz aÃ, quem sabe ele não deu um jeito nela, hein? Ninguém riu. Ficaram quietos, se encarando, até que a Bete, de novo, falou o que todo mundo estava pensando: - Será? Todos olharam para o Aurélio, que além de ser o amigo mais antigo do Deco era uma espécie de oráculo. Vira e mexe ele soltava umas previsões e umas análises completamente tortas que acabavam acontecendo mesmo. Encurralado, sacou uma citação: - “Eliminadas todas as possibilidades, a que restar, por mais improvável que seja, é a verdadeira” A sala mergulhou num silêncio grave de novo. O Aurélio tinha razão. Não tinha outra explicação para a mudança do Deco. Ele matou a Cris e deu sumiço no corpo. E estava evitando todo mundo para despistar. Vai ver ele até estava arrependido, morrendo de culpa pelo que fez, certamente num acesso de fúria cego. Mas o que ele podia fazer? Agora tinha que acobertar o acontecido, arquitetar o desaparecimento da Cris, afastá-la da sua vida aos poucos. AÃ, um dia qualquer, passado tempo suficiente, ele vai chegar para todo mundo e dizer que acabou, que ele e a Cris se separaram. A coisa não vinha bem, eles tentaram, deram um tempo, mas no fim não teve jeito, cada um seguiu o seu caminho. Será que ele veria nos olhos deles que eles sabiam? E agora que eles sabiam, o que iam fazer? Não podiam denunciar o Deco. De repente até foi legÃtima defesa, vai saber. A coisa ia por esses rumos quando alguém se dispôs a ser a voz da razão. - Duvido que ele tenha matado a Cris… Acho que teve só uma uma crise de ciúmes ou coisa do tipo e está mantendo ela em cárcere privado. Faz mais sentido, nao faz? Nesse momento tocou a campainha. Era o Deco, em pessoa. Ele estava sorridente, relaxado, mas não parecia contente. Entrou com uma peça de presunto defumado debaixo do braço se desculpando pelo atraso. Enquanto ele acomodava o presunto na mesa, a Bete foi buscar uma tábua e uma faca. Assim que o Deco começou a fatiar, o Rafa perguntou da Cris. - Ela não vem - respondeu seco, mas com a voz meio embargada. |
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Kris - kris@cronistasreunidos.com.br 22-08-2002 03:58
Hehehe…o pessoal tá mórbido ultimamente…tesão… |
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Rafael - rafael@wg.com.br 23-08-2002 07:16
Tô com medo. |
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Fabiane Secches - fsecches@hotmail.com 24-08-2002 02:13
Esta está bem “Verissima”. Gostei… |
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Ricardo - ricardo@cronistasreunidos.com.br 02-09-2002 05:58
Cara … essa tua crônica fez até sucesso aqui no trampo, Parabéns! Muito boa, e com a boa marca PC! |