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Equação de Ligação Rompida - (22-05-2005)

Lança olhar de estranho teor
A íris leve de sal, brilho;
Nos lábios, reta indiferente
De côncavo arco nem vestígio;
É outro vetor que traz calor.

Simples, corriqueiro diagnóstico
A tanto tórax aplicado:
Ao já não refém de um senhor,
Solto enfim o sinistro lado,
Ou ao que verga ao vácuo caótico.

À física sujeita a química
Em suas soluções reflete
Dela o corpus todo despótico
Que faz do explosivo inerte
Que do ardente o nulo fabrica

Das regras forçam revisão
O espaço, o tempo, dois agentes
Da corrosão, gêmeas faíscas,
Os dois universais solventes
Reflexo tornam refração

Resta da mirada vazia
Fórmula absoluta do ausente
Neutralizada a reação
Espaço antes inexistente
Sobra o nada onde nada havia



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Ricardo • 18-04-2005 02:20

Poeta Erudito!

Cara … se vc realmente tinha medo de tua poesia ficar “bobinha”. Não se preocupe.

Mais um dos típicos textos Pauleanos, que precisamos tomar fôlego pra ler e chegamos do outro lado com muito gosto!

José Ignacio - jicmn@hotmail.com • 20-04-2005 08:02

O cara é o cara… sempre surpreendendo para melhor! Já estou passando da quinta releitura, descobrindo novos atrativos a cada uma. Paulão, capricha na veia poética que os leitores agradecem!

José Ignacio - jicmn@hotmail.com • 20-04-2005 08:03

PS: “sobra o nada onde nada havia” é animal. Catou pela jugular. Bravo!

Vandreza - vandreza@hotmail.com • 22-05-2005 06:37

Paulo querido, maravilha voltar a ler o site se vcs… delicia saber que vc continua este “meninão” que ganhou “retórica” de presente na infância! beijo bem grande, van

Mára Pezzolo - link - marapezzolo@uol.com.br • 12-06-2005 08:33

A fala poetica do desejo e para onde pode nos levar é o que leio em teu poema,Paulo,independente da construção, da fôrma literaria que você deu, eu encontro este desejo que se mostra como sombra densa que chega, quanto mais clandestino maior é o desejo e daí fico pensando se todo desejo não carrega em si a clandestinidade.

Só alguém com sensibilidade refinada para colocar tão bem estes conflitos humanos.

Parabéns Paulo!

p.s: Dá pra vc escrever mais com aquela dose de humor do texto “Guichê” e do “No banheiro”? é que vc tem um estetica muito gostosa em textos assim!

gradecida

Mára Pezzolo- ( a mãe da Patricia Barreros)

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