Raízes

Ramo só ancorado, magro,
Ou tronco fundo enterrado,
Muda que grande há de ser
E a de adulta pequenez
Dividem comum devir:
A todos ergue a raiz.

Porém a raiz é viga
De bem precário equilíbrio;
Por desconhecida, oculta,
É base sem estrutura –
Quanto decréscimo agüenta
Antes de fazer-se ausência?

No um, no singular da lasca,
Como em mais, plurais pedaços,
No arrancado, no fugido,
Está a medida; e vencida,
É igual resíduo legado:
alma nada, órfã, casca.

Mas quando desenraizada,
Senão brio a sustentá-la,
A vida, tecendo rede,
Lateralmente se estende
Caçando corpos análogos,
Ao mesmo vazio lançados;

Faz da matéria à deriva
Novo suporte do vivo,
Do vasto não, chão engendra:
Um solo rico em cimento
De invisíveis enlaçados,
De caule em caule apoiado.

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4 Comentários on "Raízes"

  • Rafael.... diz

    T™ achando muito interessante essa sua veia poŽtica. Bem mais “leg’vel” que a anterior. ParabŽns!

  • diz

    Agora estou me acostumando com a falta de rimas… Ficou muito boa! Como sempre, o sentido vai se revelando a cada nova leitura. E continuamos aqui, apoiados nos galhos uns dos outros, certo? Abrações!

  • Jackie diz

    Não é que cê tem jeito pra coisa, moço? Gostei bastante! Congrats!

  • José Ignacio diz

    A propósito: Paulão, talvez você goste do Fernando Pessoa (ou pelo menos de algum dos heterônimos). Me parece estar na mesma linha, om relação tanto à forma quanto ao conteúdo. Abraços!

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