Então…

Faz tempo que não escrevo. Mais ainda que não publico. A mão está enferrujada, o cérebro meio bobo – ou o contrário. Até por isso, peço um pouco de paciência, especialmente de mim mesmo. Não é questão de branco. Se tem uma coisa que não está difícil é arrumar tema.

Problema de olho e umbigo, mesmo. Ando auto-centrado demais. Só quero saber de mim, das minhas coisas, dos meus assuntos; não estou conseguindo olhar para fora e ver aquelas coisas curiosas, engraçadas, pitorescas, revoltantes. Corrigindo: até enxergo, mas não é uma coisa que me compele. Registro, faço um post-it mental e deixo ali para retomar qualquer hora. Li uma coluna no No Mínimo relatando a incursão do autor em uma academia – mais do mesmo, o “intelectual” entrando no terreno dos “brucutus acéfalos”. Seria interessante dar uma desancada no cara, dar um contorno diferente para a mesma história. Li vários livros – alguns bem bons – , assisti a vários filmes – a maioria bem bons; tenho lido jornal e navegado em diferentes idiomas e pautas; conversei sobre modelos de representação de emissão de partículas em explosões solares; fui ao U2, ao Roberto Fonseca e ao Medeski, Martin & Wood, a espetáculos de dança, a peças do Autran; vivo espremendo relatórios e pesquisas; viajo nas minhas hipóteses para a pós; registrei, pelas ruas, um mendigo resgatando uma garrafa de água mineral na Benedito Calixto e um menino tirando um cochilo meio de cócoras embaixo de uma marquise; tem a profusão de verde, amarelo e azul em dia de jogo; tem as sandices da quadrilha do Lula – a do tradicional “arraiá” no torto, naturalmente. E vi a última do Antonio Prata no Guia do Estadão, sobre as figurinhas da Copa. Texto delicioso, que vontade de ter escrito aquele! Só que não teria feito, não estou com essa leveza no olhar. Não vejo por que sentar e escrever a respeito; o assunto não me chama, não vibra. Ia sair uma coisa burocrática qualquer. Isso tudo não sou eu e eu só quero saber de mim, caramba.

Agora, o que tenho sobre mim? Virei minha vida de pernas para o ar nos últimos meses. Todos os grandes referenciais mudaram: na vida profissional, na nova vida acadêmica, na doméstica, etc. Tem as transformações que não são visíveis a olho nu. No meio desse bolo todo surgem também umas formas novas de expressão. Estou descobrindo meu retrato na ocupação dos espaços, em móveis e quadros, e ando gostando de brincar de ver as afirmações silenciosas que as roupas fazem. De testar e ver que estiquei alguns limites e reforcei certas fundações. De poder ser tão inédito às vezes e tão reprise em outras. Cada uma dessas, uma viagem lá para dentro, mas nada muito lírico ou profundo, não: daquelas que a gente volta carregando mais coisas do que levou, paga um excesso de bagagem e tudo certo.

Fui vago de propósito no último parágrafo. Poderia conversar abertamente, mas não. Até estou a fim de falar. Só não quero ter que dizer.

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12 Comentários on "Então…"

  • Aline Tieppo diz

    How you doin´! =]

  • Aline Tieppo diz

    How you doin´! =]

  • Murilo diz

    Squish!

  • Droga!

  • Kris diz

    Conheço o feeling…

  • Van diz

    Sei não…

  • Pode não parecer leve, mas está tão bom de se ler como o que você citou, Mamute!

    Parabéns!

  • Aline Tieppo diz

    =]

  • Mára Pezzolo diz

    Pois é! Tanto tempo quanto. Você me entendeu Paulo. Das novidades? tantas quantas as suas, agora acho que esta frase aqui ó:” ando gostando de brincar de ver as afirmações silenciosas que as roupas fazem. De testar e ver que estiquei alguns limites e reforcei certas fundações..”

    Voce engordou né Paulo!

    so brincando…

    abreijos

    Mára

    p.s:lembra quem? a mãe da Paty.! lembrou?

  • Oi, Paulo. Passei pra deixar o link. Segunda fase. Tudo culpa da Lilian…

  • afirmações silêncios que as roupas fazem? quem te garante? pra mim elas costumam é gritar quem somos, quase sempre, até na calça lee desbotada!

  • *silenciosas

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