Cronistas Reunidos F.C.

Em todo lugar há um time de futebol. Existem as equipes profissionais, que lutam pelas taças das grandes federações, com jogadores que ganham muito. Há os times da segunda divisão. Os da terceira. Os da quarta, coitados. Ninguém sabe onde isso vai parar, mas sempre existe alguma “última divisão do futebol”, o limite filosofal entre o profissionalismo e o amadorismo. Entre a bola oficial e a que estiver à mão. Entre dinheiro e diversão.

O Cronistas Reunidos é como um time de várzea. Não participamos de nenhum campeonato, nenhuma federação. Não temos técnico, seleção, treino, bicho. Gostaríamos de ter torcida. Mas se não tivermos, não tem problema. Nos contentamos com a pelada.

Como todo time de futebol amador, começamos do zero. O dono da bola era o Hermínio. E como ele não sabia jogar futebol (assim como nenhum de nós), resolveu escrever textos para seu próprio site. Aproveitou e chamou uns amigos para fazer número. Primeiro o Ricardo, com quem deu seus primeiros chutes, e, em seguida, o Kris, dono de um jogo leve, que gostou da brincadeira logo de cara. Desse jeito, animados, escrevendo semanalmente, “bate-bola” virou “jogo” e “texto” virou “crônica”.

Um certo dia, o Hermínio esqueceu a bola na casa do Ricardo, que teve que reorganizar a tabela de jogos. Ele fez um novo site (www.geocities.com/cronicas2000), contando com os 2 jogadores restantes e o Rafael, um verdadeiro curinga no ataque. Um quase-time de futsal, digamos. Para completar o grupo (que pelo tamanho, já estava virando time de “society”) e não perder de W.O., depois de algum tempo começaram a surgir novos parceiros de pelada.

Convidados ou só de passagem pelo campinho, alguns foram ficando já que as partidas estavam cada vez mais interessantes. Por pura preguiça de ir embora, o Volponi topou dar a ligação no meio de campo, misturando raça com técnica; depois surgiu o Paulo, trazendo disciplina tática e o dom de infernizar a vida dos juízes com seus argumentos-arte; e por fim chegou o Leopoldo, que achava que não sabia jogar mas já entrou como artilheiro. Durante um bom tempo, um ou outro amigo apareceu, jogou uma partida, prometeu que voltava. Mas esses 6 conseguiram um feito notável para um time amador: escrever regularmente, faça chuva ou faça sol, com adversário ou sem.

Quando o time estava quase escolhendo um nome “oficial”, retornou o antigo dono da bola, o Hermínio. Pronto. Finalmente com um grupo fixo, pudemos até mandar fazer camisas, e (mais) um site novo – www.cronistasreunidos.com.br. Só que mesmo com o time completo, esses 7 amigos freqüentemente recebiam mais pessoas para bater uma bola. Era só topar com alguém na rua e perguntar se queria jogar.

Nesses convites surgiram os dois últimos Cronistas titulares. Do interior, com pinta de médio-volante argentino que sobe pra área adversária no escanteio, faz o gol ou, no mínimo, derruba um jogador do time adversário, veio o Murilo. O arremate da equipe veio na seqüência, com o Zé. Jogando sempre de cabeça erguida, é a prova de que comum e simples, ali, só o nome.

Esta é a história do Cronistas Reunidos Futebol Clube. Nosso campo é a página branca. Nossas regras, felizmente, não são submetidas às da FIFA. E nossa proposta é disputar crônicas, contos e textos em jogos de ida e volta. Um calendário muito melhor do que o da CBF, convenhamos.

Como todo time de futebol, profissional ou não, também damos caneladas vergonhosas, erramos passes fáceis e às vezes temos preguiça de correr até a linha de fundo. Mas também temos momentos magníficos, toques de calcanhar que dão certo, cruzamentos perfeitos, e até gol de bicicleta, de vez em quando.

Se conseguirmos fazer mais gols do que tomarmos, está ótimo. Afinal, não pretendemos ganhar taças, ainda que ninguém aqui seja teoricamente contra o bicho. Temos amor à camisa, e é isso que faz a gente tocar a bola pra frente.

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