Confissão

Chocolate. Adoro chocolate. Sempre fui um compulsivo por este pedaço de prazer embalado. Meu avô tinha uma quitanda, no tempo em que existiam as quitandas de bairro. Talvez isso explique muita coisa. O caso é que eu sempre pegava doces e refrigerantes com o meu avô, quando não era a minha avó que estava lá no balcão do armazém………..é, eu chamava aquilo de armazém, eu e todos do bairro; e o leitor há de convir que uma criança ainda não tem capacidade de distinguir um armazém de uma quitanda.

Todo dia, antes da aula, eu passava no armazém para pegar uns doces. Dip lic, Gibi, paçoca Amor, doce de abóbora em forma de coração, doce de leite em forma de faquinha e chocolates, sim, chocolates de todos os tipos : Chokito, Prestígio, Lolo, Surpresa, Toblerone, Sensação, Stick, Kri, Suflair. De chocolate eu entendia; mesmo porque, quando se é criança não existem outras preocupações, a não ser o número de figurinhas, a coleção de bolinhas de gude, os piões pintados, quantos quadrados (pipas) você conseguiu ralar (cortar) em um dia, os gols que você fez no Contra (contra a rua de baixo). Ufa ! Eu não lembro de ter tantas preocupações assim desde o dia que decidi encarar um estágio no tempo livre que me sobrava entre a faculdade que eu fazia de manhã e a outra que eu fazia de noite.

A grande preocupação, mesmo, foi quando chegou a adolescência e eu continuava a comer, compulsivamente, chocolates. Eles continuavam grandes como eu sempre quis, mas seus efeitos eram ainda maiores. A gente sentia na pele!

Nesta fase da minha vida procurei ajuda de um especialista. Ele era muito legal comigo, sempre me dando conselhos e me ajudando a parar com os chocolates. E de chocolates ele entendia. Foi assim que, sozinho, parei de usar, digo, comer chocolates compulsivamente. Mesmo que continuasse, hoje, eu teria que comer muito mais chocolates, porque eles estão diminuindo. Vocês já repararam? Os chocolates estão cada vez menores. As embalagens são do tamanho de uma mordida, muito menos pessoas estão comendo estas barrinhas maravilhosas. Quase não existem, propagandas de chocolates na TV. As pessoas estão esquecendo o chocolate!

Talvez, porque ser malhado seja a aspiração que regula a sociedade do culto ao corpo; não importa o sacrifício! Vale, até, parar de comer. Esta obsessão chegou ao ponto de substituírem a barrinha maravilhosa, digo, barras de chocolate, por barras de aveia e mel com aparência de alpiste. Eu sou magro (é eu sou magro!), mas não sou passarinho. Vendo, assim, esta situação; posso dizer que, hoje, já está mais fácil controlar minha vontade de comer chocolate. Quando olho para eles, vejo apenas mais um doce na prateleira, uma simples guloseima de cacau com um sabor delicioso e irresistível (huuumm!) que dá água na boca só de falar!

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