Domingo no Parque

Foi em Junho de 1973 que ocorreu um fato muito importante para o Destino da todos nós. Lembro que naqueles tempos o sol costumava a se esconder entre as nuvens, preguiçoso e impotente. O ceu sempre escuro não deixava dúvidas que mais um dia se repetiria, mais um dia cinza, como todos os outros. Era domingo-o-mesmo e por isso as pessoas-robôs iam ao parque-esperança para caminhar-pensar.

Todo domingo-cinzento podia-se encontrar pessoas-bate-ponto andando pelos gramados-bem-verdes com seus bichinhos de estimação. Sempre achei que os animais de estimação são em grande parte reflexo de seus donos, lembro, até, que li uma matéria sobre este assunto em alguma revista-consultório.

Domingo no parque era talvez o único programa destas pessoas-insossas que andavam-procuravam pelos cantos e pistas sem destino certo, puro condicionamento.

Em finais de semana normais e sombrios como aquele era certo encontrar Dona Sara-solitária e seu mini-pincher preto conversando com Denise-deprimida e sua bengala de marfin, sempre enxotando os cães-coco ou os cachorros-ai-eu-tô-no-cio que acham que nossas pernas são da mesma espécie que os caninos-domesticus.

Mas como eu dizia no início, naquele domingo de junho de 73 o mundo mudaria. Foi naquele domingo-negro que, no meio da paisagem-sempre-a-mesma, surgiu uma personagem que alterou o dia-a-dia do parque. Passeando pelas vias comuns, uma mulher-triste ía. Para onde …… não sei. Sei que ía. Gata no colo, fita no pescoço – da gata, claro – vestida com vestido-verde-velho não reparava as outras pessoas-amargas que com ela se pareciam; não desviava o olhar.

Do outro lado do mesmo parque outra estranha-coisa-pessoa abaulava a paisagem cotidiana, cinza e sombria. Um home-alegre com seu cachorro-brincalhão sorria para tudo e todos que naquele domingo cinzento e nublado por ele passavam. Estranhamente era o único que irradiava otimismo em todo o parque.

Naquela tarde de domingo em Junho de 73 a gata-malvada da mulher-triste resolveu que iría tornar-se independente e viver a sua vida-de-gata-solitária. Pulou. Ao cair no chão correu de sua dona e foi o mais longge que podia – longe na visão dos gatos. Nesse mesmo tempo, do outro lado do parque o cão-brincalhão brincava com seu dono-alegre e seu osso-feliz.

A mulher-triste corria a procurar sua gata-malvada e sem perceber atravessou quase todo o parque-monótono e encontrou com quase todas as pessoas-integradas-socialmente.

Foi mágico! Um simples olhar e pronto. Duas almas se encontraram e foi aquele Deus-nos-acuda, cachorro-brincalhão atrás de gata-malvada, gata-malvada no cachorro-brincalhão e Bum! Uma patada certeira o focinho-cheirador do pobre cão-feliz, vulgo cachorro-brincalhão……………………..

Já era segunda-feira e o sol brilhava pela primeira vez durante anos, resplandecia e gritava pelo céu-de-achar-nuvens-por-brincadeira, o céu-de-nunca-mais-ver-cinza.

……os animais? Os animais ficaram bem. O homem-alegre conseguiu separar os dois à tempo. O cachorro-brincalhão ficou um pouco arranhado, mas acho que vai sobreviver. A gata-malvada superou o stress e voltou para os braços de sua dona-solitária que pela primeira vez desviou o seu olhar e agradeceu aquele que foi seu marido pro resto da sua vida. Foi assim que em Junho de 1973 o mundo ficou mais alegre e feliz para o ser humano. E o dia brilhou e cantou para o casal achei-você-no-parque celebrando a felicidade alheia. Se você também puder fazer isso, então você estará fazendo do mundo um lugar mais-melhor-de-bão.

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1 Comentário on "Domingo no Parque"

  • diego diz

    Umadroga

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