Livre para voar

Acho que quarta. É: foi na quarta-feira. Andava pelo corredor quando minha avó veio me cobrar uma dívida. Você acha que tem cabimento uma avó cobrar o neto? E o neto dever à avó?

– E o passarinho? perguntou. Eu me esquivei e disse que já não lembrava mais dessa história.

É ……… minha avó tem muitos deles presos em pequenas gaiolas de ferro e madeira que ficam nos fundos da casa. Tudo bem, eu nunca entendi, mesmo, o porque do aprisionamento. Nem de bicho, nem de gente, nem de nada. Nasce livre, mas já procura algo pra prender ou ser preso. Mania mais besta essa nossa. Se corre, anda, voa ou nada: prende. Se tá parado prende também. Qualé?! vamos tirar as plantas dos vasos! Solta a franga aí!

Homem é bicho também. Bicho besta. É pequeno, tá no berço. É jovem, tá na moda. É adulto, tá no trabalho. Se for solteiro vai querer compromisso, se for casado quer prender a mulher num hospício e fugir com a amante. Só quando velho, que nada mais prende. Tudo solto.

Quero casar, quero ser padre, quero ficar em casa e pedir pelo delivery (internet é legal), quero tudo, Quero-Quero ……… tudo preso na gaiola. Pára o mundo que eu quero é descer!

É prende daqui, prende dali. E o Lalau? Free, free, Mike Tayson free. De novo?

Cadeia, compromisso, celibato, prisão de ventre, dedo na porta. Denilson, solta a bola! Cruza! Romário, solta a língua! Cabeceia. Gooooooool! Tá vendo Felipão? Solta os pontas.

E o passarinho? O meu tá preso.

O mais engraçado dessa história de passarinho é que eu, realmente, não lembro de ter prometido um passarinho à minha avó. Mas nessa eu já dancei porque existem testemunhas oculares; e não são poucas. Eu só fico imaginando quando é que eu falei essa besteira. Agora é tarde, o negócio é abrir a mão, soltar a grana.

Compartilhe!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *