O Dono da Bola

George era o dono da bola. Não que ele sempre o tivesse sido, seu irmão Clóvis é que lhe havia dado. Irmão caçula de 3 (Ronald, Clóvis e George), nunca aprendera a jogar futebol, mas era o dono da bola. Agora. Seus vizinhos eram bons de bola, tinha até um tal de Basílio que era o craque do bairro. Porém sempre dependiam da bola do George.

Ele era o mais riquinho da rua ……. e tinha tudo nas mãos. A bola. Era difícil convencer o George a jogar quando ele não queria; praticamente impossível. Nínguém nunca conseguiu. A molecada vivia brigando, porque queria jogar. Uns queriam chamar o George porque ele era o dono da bola, outros queriam jogar, mas sem o George ……….. aí, como não tinham bola, acabavam chamando o caçula da casa da esquina, o “irmãozinho” do Ronald.

Assim, era George que dizia se havia jogo ou não. Sol, chuva, vento; se George queria jogar: todos tinham que jogar. Afinal, nunca se sabia quando ele poderia querer jogar de novo.

É …………….. mas houve um dia! Eu me lembro bem, era 09/11 de 1767! Não se sabe quem entrou na casa de George – uma casa branca, muito bem acabada. Pegou a bola lá de dentro e furou. Destruiu a ” bola do George” e por incrível que possa parecer, foi o maior acontecimento do bairro. Incrível porque ninguém estava triste, todos os garotos, vizinhos e não vizinhos comemoravam.

George não acreditava. Como alguém se atrevia a entrar em sua casa e furar a sua bola? Quis chorar, contou pra todo mundo tentando mostrar que ninguém mais iria jogar bola porque ela estava furada. Nada. A felicidade era maior. Ninguém, mais, queria depender daquele moleque que não sabia nada de futebol e vivia querendo mandar no jogo. Foi uma grande alforria. Ninguém mais jogaria bola, e daí?

Por mais que dissessem o tamanho do atrevimento e falta de educação daquele que invadiu a casa branca da esquina, nada iria mudar o fato de que George não era mais o dono da bola. E isso mudava tudo.

Não demorou muito e alguém fez uma bola de meia juntando um par de cada moleque da rua. Sim, agora era uma bola de meia! Mas tinha meia do Tiquinho, do Basílio, do Japa, do Marquinho. Muita gente até parou de jogar futebol, começaram a brincar de coisas novas, novos jogos, novas brincadeiras e ninguém nunca mais brigou por causa de um jogo ou de uma brincadeira.

AH! O dono da bola, sim, teve que aprender a jogar futebol e todas as outras brincadeiras, como todo mundo.

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1 Comentário on "O Dono da Bola"

  • Vamos furar a bola do George !!! hahaahahahahaah….

    Isso é que é a política imitando a vida (ou a vida imitando a política).

    Tesão!

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