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Manifesto - (01-10-2001)
A guerra está chegando!
Pra mim, pra você, pro Papa, pro dólar, pra Somália.
Eu não quero a guerra.
Nem pra mim, nem pra você, nem pra ninguém. Talvez pro dólar.
Não quero os cristianismos distorcidos, os islamismos direitistas, nem a paz budista. Não quero ter certezas, também não quero ter dÃvidas. Quero tudo que posso e que não posso; e rápido. Pra que esperar? Esperamos a vida toda. Esperamos o amor eterno, a compreensão, o carinho, o ônibus, o filho com saúde, esperamos na fila, na cama, no banco.
A guerra está chegando!
Pro caipira, pro descolado, pra sua mãe, pro filho que ainda não veio, pro amor da sua vida.
Eu não quero a guerra.
Não quero ter que pensar o que fazer nos meus últimos minutos, não quero ver as pessoas indo, não quero querer nada. Vamos correr, jogar bola, pular amarelinha, rodar pião. Viajar! Vamos todos em uma grande viagem e quem sabe lá (onde quer que isso seja) não tenha destas coisas. Não quero sincretismos, não quero mais valia, já não quero nem o meu salário se ele tirar o que comer da sua boca. Simplesmente, não quero.
Esqueça a maquiagem, a calça corsário, as festas que você poderia ir, suas duas colegas se beijando, esqueça a angústia de viver aqui; no planeta Terra. Esqueça o próprio planeta, o único planeta com vida no Universo. Não esqueça a risada. Esqueça a vida inteligente. Não esqueça o sarcasmo. Esqueça o ser humano. Eles; não eu.
A guerra está chegando!
Aproveite! Amor. O seu amor. Beije-a(o) com ternura, com paixão. Diga tudo o que ainda não disse. Pra quem quer que seja! Abrace seus amigos. Fique com sua famÃlia. Fuja das igrejas, mesquitas, altares, sessões e terreiros. Não atravesse o farol vermelho! Onde quer que você esteja, acorde e veja o dia nascer; vale a pena! Se houver tempo, aprenda a tocar um instrumento. Cante, dance, balance até cair. Por que um dia você vai cair. Não maldiga uma formiga se quer, ame-a. Respire fundo, dê uma longa espreguiçada. Bocege quando quiser. Não é falta de educação! Não se preocupe, não se preocupe!
A guerra está chegando!
Eu não quero a guerra.
Não quero dar satisfações, não quero ser alvo, não quero derreter. Não quero socialismos, egoÃsmos, patriotismos, imperialismos, nem mesmo niilismos. Existem muitos “Ãsmos”, não quero nenhum deles! Não quero rejeição ou falsa afeição. Não quero ter que acordar, quero simplesmente acordar.
A guerra está chegando!
Experimente. Prove um cigarro, mesmo que nunca tenha fumado. Experimente as drogas. Maconha, LSD, ecxstasy, chás de cogumelo, de lÃrio, do santo Daime. Cuidado com a heroÃna, o crack, a cocaÃna. Prove um pouco de macarrão com ovo frito e maionese. Prove muito dos vinhos, whiskys e cervejas. Experimente todas as mulheres, todas as fantasias. Tente o suicÃdio, mas talvez sua história acabe antes da guerra chegar. Pule de pára-quedas, suba no topo de uma imensa montanha e abra os braços. Sinta-se livre. Grite bem alto para o universo ouvir. Chore bem alto.
A guerra está chegando!
Eu não quero a guerra.
Não quero acabar a história sem mesmo ter construÃdo a minha própria história. Não quero acabar na história. Não quero ter que me despedir. Quero tempo pra me despedir. Voar, eu queria mesmo é voar! Sair pelos céus, sentindo a umidade das nuvens, o vento no rosto. Não! Não quero me despedir! Não quero deixar minha Ãnfima existência mesmo sabendo sua efemeridade. Quero Ser.
A guerra está chegando!
Pra você, pros cristãos, muçulmanos, judeus, budistas; pras crianças, gays, negros, brancos, ricos, pobres, plantas, animais; pro 1º mundo; pro 3º mundo; pros economistas, filósofos; pros batedores de carteira, sequestradores e assassinos; pros homens e mulheres. Pra mim …………… ela já chegou!
Eu não quero a guerra.
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