Deus e o Diabo na Terra

– Uma gelada, por favor! Puxa, eu amo uma loirinha geladinha!
– Eu também. Mas prefiro dizer que gosto. O amor é outra coisa.
– Que nada! É tudo a mesma coisa, não é?
– É …… atualmente pode ser, mas quando eu inventei, não era.
– Pois é, quando você inventou não era. Tantas coisas que você inventou e não são! Você não fica meio frustrado?
– Fico não. As pessoas sabem o que é o amor; só usam a palavra de um jeito errado. Elas sabem que o amor é algo grandioso, um sentimento abnegado de reciprocidade. O amor é algo entre pai e filho, homem e humanidade. O amor é aquele que se tem ao próximo, à vida. As pessoas tem esse discernimento; só não sabem utilizar a palavra.
– Óh! Você, sempre um romântico! Acho que você tem conversado muito com o Camilo. Você, meu xará, devia prender-se a coisas mais terrenas, como eu.
– Pare com essa utopia avantajada! Venha comigo uns dias e vou te mostrar o que as pessoas realmente querem. Vou te mostrar a minha invenção.
– Que papo furado é esse? Sabe muito bem que não posso sair daqui. Você, tudo bem.
– Anjo caído sempre pode dar uma subidinha.
– Bom, você é quem sabe; e não estou sendo irônico, apenas sarcástico. Mas eu preciso te mostrar a paixão. É ….. porque é isso que as pessoas querem. Apaixonar-se. Elas querem a cumplicidade, a sacanagem. Nada de amor, querem paixão e toda a sensualidade que vem junto. Querem o sexo! E é aí que elas se embananam com essa história de amor, paixão e tudo.
– Mas quando eu criei a humanidade, dei-lhes a capacidade de pensar justamente para que não se desviassem do caminho.
– É, mas eu fui “caído”, lembra? Então, tenho que mostrar serviço; afinal, não é todo dia que se é promovido. Mas, calma! Você chega lá.
– Tudo bem, eu tô meio cansado dessa politicagem mesmo.
– O negócio é se desprender dessa coisas etéreas, por o pé no chão e seguir em frente que a vida é bela. Mas se disser que eu falei isso, eu nego! Na verdade, além dessa confusão de amor e paixão, ainda tem aquela coisa do gostar. Porque gostar é um sentimento menor, menos intenso e que muitas vezes se usa indiscriminadamente substituído pela palavra amor ou paixão.
– “Ah, eu amo viajar!”, “Eu me apaixonei por Boipeva!” e assim eles vão usando palavras no lugar do gostar e complicam tudo. E tudo isso culpa sua! Tinha que inventar o amor? Porque não deixou do jeito que tava? Não, tinha que pegar os alemães e desenvolver. Agora agüenta os italianos!
– Bom, acho que esse negócio de amor não tá com nada. E tem mais, “no avançar das horas e na má sinalização”, eu tenho que ir senão a patroa me mata!
– Tá apaixonado mais uma vez?
– Não, acho que estou amando mesmo!

Compartilhe!

1 Comentário on "Deus e o Diabo na Terra"

  • Anninha diz

    Amei, Rafa! (ou gostei? ou me apaixonei? sei lá!*rs*)

    Ficou mto legal, principalmente a noção de discernimento entre amor, paixão e o gostar, mas tenho que admitir que está mesmo tudo misturado, só mesmo pra complicar nossa vida! *rs*

    Bjão

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *