CMYK

Era o ano de Bazurka. A miséria assolava a população, que faminta, mendigava nas portas dos nobres Cians. O reinado Bazurkino era um fracasso. A discórdia imperava entre os habitantes. A falta de respeito, tolerância e pagamento geravam as maiores confusões. Criavam um ambiente violento e insuportável. Os Magentas e Yellows viviam à beira de um colapso. Talvez fosse esta a intenção dos Blacks. Deixar a miséria corroer até o último representante daqueles subalternos. Sujos. Pobres. Não importava quem era o dono da terra. Ninguém é dono de nada!

Nobres e intelectuais, os Cians nunca agiram. Sempre souberam o que fazer, mas o intelecto os impedia de agir. Quem era pobre, pobre ficaria. Você é magenta, magenta será seu filho. Com base nesse lema, o reinado seguia. Aos trancos e barrancos. Mas seguia.

Nas esquinas eram os Yellows. Nas ruas. Eram os Yellows. Nas sarjetas. Também. Os Magentas mal podiam trabalhar como serventes. Para a confusão começar bastava um Black cruzar olhares com um Magenta qualquer. Como? Um Magenta olhar nos olhos de um Black? Polícia. Polícia. Polícia. Aí era a covardia. A polícia era toda Black. Causava terror. Mais conhecidos como Black Powers, eles usavam de violência desmedida. Comum.

Magenta-Uzurski de Shoemaker era seu nome. Com muito custo conseguiu um emprego em uma loja de sapatos. De certa forma, pressentia que estava no caminho certo. Todo tipo de gente o procurava. Talvez o melhor sapateiro do reino. Foi assim que, naquela tarde de domingo, eles se conheceram. Digo, olharam-se nos olhos. Cian-Ureta queria apenas consertar sua sapatilha. Acabou encontrando o amor. Ninguém nunca vira paixão tamanha. Ninguém nunca soubera. Só após o ocorrido.

A amizade que aparentavam já era suficiente para causar furor. Cians e Magentas conversando um de frente para o outro. Impossível. Os pais de Ureta já falavam em mudar de casa para evitar os encontros com gente daquela laia. Uzurski era pacato. Trabalhava.

Era na ausência da luz diária que seus encontros ficavam mais quentes e coloridos. Os pais nem sabiam. Na verdade, verdadeira ……. a mãe de Uzurski desconfiava. Dizia, em tom de repreensão, que não se deve contrariar os caminhos da vida. Quem nasce Magenta tem que morrer Magenta. E fim de papo. Foi depois dessa frase que eles mudaram para uma vila afastada. Dias se passaram até que Cian-Ureta soubesse de seu paradeiro. Pois foi no mesmo dia que soube. Pegou um casaco vermelho e foi em direção ao bosque. Percebia que caminhava lentamente. Ao contrário do som de seus passos. Seguida. Definitivamente estava sendo seguida. Em uma tentativa desesperada, cantava. E como tivesse medo de se perder, foi deixando migalhas de pão pelo caminho.

Ao chegar à casa agaixou-se à beira da soleira. Descansou. Os passos no bosque estavam mais próximos. Socou a porta. Gritou por Uzurski. A porta se abriu. Ninguém. Trancou-a e recuou. Começaram a esmurrar a porta. Sem titubear, correu pela porta dos fundos. Correu.

A vila mais próxima ainda estava distante quando encontrou-se parada no meio de um funeral. Um funeral Magenta. Sim, porque todos vestiam mantos verdes e toucas de croché brancas. Misturou-se.

Olhava para os lados. Aflita. Estava salva, fosse lá do que fosse. Neste instante pode perceber que era um funeral que se encaminhava. Perguntava quem e porquê? – Foi de amor – disse o Yellow-manco. – Nunca vi coisa igual. – Também, depois de ser separado daquela … Não conteve a ansiedade. Foi em direção ao caixão. Ombros doloridos. Estava alto, teve que ficar na ponta dos pés. E viu. Olhos nos olhos.

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1 Comentário on "CMYK"

  • Rafael diz

    Valeu Jacared. Achei mesmo que poderia continuar esta história ….. hehehe. Essa história de mundo paralelo vai ficar bem legal…..

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