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A vida é o nosso reality show - (16-04-2002)

A cena clássica era o Beto tomando uma cervejinha no “bar do chega junto”. Todo começo de dia ele subia o degrau do bar como se fosse um rei, era o seu momento.
Bateu o umbigo no balcão e pediu:

“- Seu João! Desce uma _________ gelada.”

Quente, a tarde estava muito quente. Sem brisa, nem sombra. O ar provava que era matéria, que ocupava espaço, denso. Como um desenho animado, Beto recortou o ar e com sua mímica fez rir o bar, que assistia ________, ao chamar por sua comadre. Deixou o copo americano e saiu para comprimentá-la. Coisa de bairro. Só precisava de cinco minutos de prosa. Lá da esquina veio o Gersinho no _______ novo, buzinando o hino do __________ feliz da vida porque tinha nascido seu filho, filhooooo.

Na vila, a galera estava em festa. Feriado nacional. Só o Beto que chegava do trabalho. Funcionário da ________, a maior empresa de segurança privada do país, Beto não tinha nada com o feriado só queria chegar em casa e descansar. Na soleira encontrou o seu melhor amigo triste e melancólico como quem perde um prato de comida. Abriu a porta e ninguém gritou seu nome como de costume. Sua mulher também assistia ___________ mas sem rir. Não tinha motivos.

Como era de costume, foi à geladeira pegar presunto e queijo _________ para seu café ou janta, fosse o que fosse. Estava acostumado com o mau humor da esposa. Estranhou a filha que não correra escada abaixo para abraçá-lo - vá lá, todo mundo tem seu dia de esquecimento.

Resolveu contornar a situação - sua mulher só podia estar brava porque ele demorou a chegar - e sentou no sofá. No lugar de sempre.

“- Meu amor, o que que há com você?”
Tic-tac, o relógio não parava.
“- Meu bem, porque você está assim?”
Tic-tac, o relógio avançava. Cadavérico.
“- Hora, se você ficar nessas eu vou me embora. Tô sem paciência, hoje.”
Tic-tac, o relógio parou.”
“- Amor, porque você está me ignorando como se eu estives ………..?”

Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas e fatos reais é mera coincidência.
Atenção, nossas cotas de patrocínios já estão abertas. Para maiores informações contate nossa produção.



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Carla - carladallanese@hotmail.com • 16-04-2002 09:54

Rafa, seu texto é maravilhoso!!!

Rafael - rafael@cronistasreunidos.com.br • 17-04-2002 07:33

E aí? Tá interessada nas cotas de patrocínio, hehehe?

Anninha - apschs@uol.com.br • 17-04-2002 08:09

Putz (que é p/ não chocar ou ser censurada)! Ficou muito legal! Adoro coisas assim, surpreendentes!

Curti, Rafa, curti!

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