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Bolinhas de gude - (22-04-2002)

Eu não sabia jogar bolinha, foi meu avô quem me ensinou. Na calçada, a tarde era nossa. Toda a molecada se arrastando pelas guias, na esquerda, na direita, era um sobe e desce na rua que parecia até procissão. Aprendi rápido o “mata-mata”, esse aí, jogado nas guias.

Eu sempre quis ser o melhor pra não ter que me preocupar se ia perder ou ganhar as bolinhas; sim porque a gente sempre jogava “a ganha”. Só quando não tinha mais bolinhas de gude que se jogava “a brinca”.

No quintal da Dona Joana, a gente fazia os “boxes”. {”boxe” - buraco redondo, com cerca de 5cm de profundidade, usado para marcar os pontos de um jogo infantil chamado “box”, no qual se utilizam bolinhas de gude. O objetivo do jogo é fazer o percurso de 5 buracos no menor número de jogadas possíveis, assim como o golfe}

O desafio não era acertar os buracos, e sim, desviar do Marcelo e do Duque, a dupla de vira-latas mais conhecida da Vila Constança. Eu até que jogava bem mas sempre tinha o “Nêga”. Que raiva, eu nunca conseguia ganhar dele! No “triângulo”, ou “cela”, então …. O cara era “rato”, conhecia todas as manhas da calçada do Zé do pito. Acho que elenunca teve que comprar uma bolinha. Ele “rapelava” todo mundo.

Eu jogava, jogava e nunca conseguia ganhar dele e acho que isso, de certa forma, me deu forças (”me deu” depois de vírgula sim senhor, e aí? vai encarar?) para continuar jogando e treinando até hoje. Tudo bem que eu tenha 37 anos, mas hoje eu ganho desse maledeto!

A campainha tocou. Amigo de longa data ….

- Chega aí, Nêga.
- Fala Toco, tudo bom?!
- Então, vamos jogar uma?
- Jogar uma o quê?
- Bolinha de gude, lembra?
- Cara, eu tenho 35 anos, olha pra minha cara …
- Tá, só uma vai! Só pra relembrar os velhos tempos.
- Tá bom, mas você sabe que eu vou ganhar. Eu sempre ganhei de você e hoje… não vai ser diferente.

O que ele não sabia é que eu nunca parei de jogar. Treinei dia e noite com os meus sobrinhos. Ensinava e ganhava de todos eles. Eu estava maispreparado do que nunca.

- Tá, vamos logo com isso. Você vai ver.

Tudo preparado, faltavam as bolinhas. Esqueci as bolinhas no carro. Foi o tempo correr até o dito cujo e voltar. Quando cheguei:

- Amor! Você não está escutando a Julinha chorar? Vai, rápido, fazer o mercado enquanto eu troco ela.



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Jacaré - guilhermepita@hotmail.com • 22-04-2002 11:31

Rafa, você pode começar a vender cota de patrocínio no e-mail. Eu recebi, abri e cliquei. Dá até pra fazer um cross-media e-mail + site.

Agora, falando sério, eu ainda tenho umas figurinhas repetidas da Copa União de 87. Topa um desafio? 5 a mão.

Rafael - rafael@cronistasreunidos.com.br • 22-04-2002 12:19

Tá, mas não vale lamber a mão antes de bater…hehehe

Paulo - paulocoelho@cronistasreunidos.com.br • 23-04-2002 04:40

Hum…. Deixa eu ver se entendi… Eu sou o Nêga do pebolim, e ele é o Paulo da bolinha de gude… É isso?

Rafael - rafael@cronistasreunidos.com.br • 24-04-2002 07:21

Pra mim, você continua sendo o Paulo do pebolim. Mas se quiser treinar um pouco mais …

Carla - carladallanese@hotmail.com • 24-04-2002 09:21

Li sua crônica e como vc sugeriu fiz uma viagem na minha memória, me lembrei das enormes coleções de papeis de carta (ainda tenho a minha), polícia e ladrão, da Barbie, da coleção “Para Gostar de Ler”…

Gabis - gabifonseca@yahoo.com • 10-05-2002 01:39

Cá… quando se planta la bella polenta, la bella polenta se colhe cosí, se colhe cosí… lembra da canção?? se não, retorne aos tempos de dança livre e ” amigo, companheiro de colégio, hoje eu canto de alegria, por de novo te encontraaaaar!”

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