O Neocomunismo

– Salve, companheiro Marcos!
– Salve, meu camarada.
– Uma dose?
– Hoje estou afim, pede duas logo.

A conversa segue sem muitas novidades e como sempre acaba em futebol, mulher ou política. E foi assim que surgiu a questão.

– … porque o que realmente falta ao comunismo é uma releitura. Do jeito que estamos acostumados a aprender, ninguém aceita mesmo. Mesmo porque, quem ensina são esses filhos do capitalismo selvagem!
– Apoiado Inácio! Precisamos revisar e reescrever o que seria o comunismo hoje. A única referência que nós temos é de uma época ultrapassada, que já não faz mais sentido.
– Pois é. Por exemplo, esse negócio do Capitalismo ser uma fase preparatória, anterior e obrigatória para se chegar ao comunismo. Pra que subjulgar os capitalistas? Pra que criar inimizades? Nunca se sabe o dia de amanhã, não é mesmo!
– É verdade, precisamos aceitar mais “o outro”.
– Apoiado camarada. No Neocomunismo – vamos chamar assim, ok? – “o outro” terá prioridade!
– Chega de revoluções. Vamos propor uma coisa mais plausível e paulatina pra ganhar adesão daqueles que ainda temem “os comedores de criancinhas” (não respondo por padres e afins).
– E a propriedade privada? Você acha que a gente mexe nela?
– Acho melhor não, camarada. Isso sempre foi um ponto fundamental no Comunismo antigo.
– Mas no Comunismo antigo eles não defendiam a propriedade privada.
– Como eu disse: acho melhor a gente não mexer nela.
– …
– …
– Afinal ela é privada.
– E é propriedade.
– Companheiro Marcos! Como nós faremos com as classes sociais, os mais ricos e os mais pobres!?
– Bom, a minha primeira idéia é criar uma unidade real de vida, a URV. Ela funcionará como uma espécie de transição fictícia para aqueles que tiverem que se adaptar a uma nova situação. As pessoas se adaptam e com o tempo tudo se resolve.
– URV! …………gostei dessa solução!
– Pois é como você disse: “o que realmente falta ao comunismo é uma releitura.”

Compartilhe!

2 Comentários on "O Neocomunismo"

  • anninha diz

    Estava na correria e sempre ficava pensando que seria um texto pesado sobre teorias políticas e coisa e tal (o que nunca gostei de discutir muito, nem mesmo nas aulas de socilogia com nosso prof. do MST).

    Entrei aqui e achei um texto muito sacado e levesinho de ler… quando vê, já viu… e já era…

    Gostei muito do texto, Rafa!

  • Ricardo Alter diz

    – Salve!!!

    – Como é que vai?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *