O grande encontro

Piriquito era o seu melhor amigo. Maurício adorava cães. Quando ganhou o Piriquito logo soube que esse seria, realmente, o seu melhor amigo. O Mau era um sujeito bastante pragmático e inteligente. Formado em duas faculdades (as melhores do país) e trabalhando dia e noite – correndo atrás do seu futuro promissor (pelo menos foi o que disseram na faculdade quando se formou) – nem se dava conta da sua situação.

Não é por nada não, mas o Mau era uma figura. Vaidoso, nunca saía de casa sem se arrumar. Bem apessoado, ninguém da turma soube dizer porque ele não havia tido uma namorada. Uns diziam que era muita frescura, critério demais. Outros diziam que faltava álcool na cachola, o que acaba dando no mesmo.

Seu amor por bichos era inenarrável, Cláudia sempre os adorou, desde pequenina. A paixão pelos animaizinhos só não era maior que a paixão pelos estudos. Sempre muito aplicada, inteligente e bonita.

Os mais “exigentes” (outros diriam “otimistas”) diriam que igual a ela existiam milhares. Não. Não, como Cláudia. Bonita, inteligente e ainda tinha a ousadia de ser a Miss simpatia; sorriso largo e fácil, humor nas estrelas – até em dias cinzentos e chuvosos. “Femme fatale”.

Na cabeça de todos, o Maurício era o cara que mais facilmente conseguiria dar razão ao excerto bíblico: “crescei e multiplicai-vos”. Mas ainda estava naquelas de procurar a mulher ideal. Difícil. Muita idiossincrasia.

Dizer que a Claudinha “ficaria pra titia” era blasfêmia. Se bem que ela nunca namorou, firme, mesmo. Muito independente, idiossincrática.

Maurício só queria achar uma mulher que valesse a pena, uma mulher simpática, de sorriso largo e fácil; que fosse bem humorada e inteligente – do tipo “aluna aplicada”. Ele só queria ser feliz. Ele; e a torcida do corinthians.

Não tinha culpa, todo homem que ela conhecia era um bolha! Bolha intelectual, bolha fofinho, bolha fortão, bolha bolha, etc. A Claudinha só queria ser feliz com um homem bonito, que gostasse de bichos como ela (não era um postulado, mas…), inteligente, com um futuro promissor; só isso.

Ele andava apressado (como se o mundo fosse acabar naquele instante), passos largos em direção à farmácia. Resfriado, nada demais; duas aspirinas e já estaria curado.

Cláudia, sentada na mesa do bar, precisava acordar cedo. Levantou.

Na mão esquerda ele levava umas moedinhas pra facilitar o troco. Na mesma calçada havia o “Bar do Pedrão” (um dos mais legais da Zona Sul) – seu preferido.

Ela estava terminando de pagar enquanto pensava aflitamente, olhando os casais nas mesas, quando iria encontrar o seu amor (talvez fosse mais difícil, ali, no “Bar do Pedrão” – quarta-feira não é um bom dia!).

Moedas na mão. O nariz estava incomodando. Contava as moedas, por distração mesmo. Para esquecer o resfriado e não olhar os casais felizes dentro do bar.

O troco. Saiu. Neste exato momento alguém vinha pela calçada e deixou cair algumas moedas. Ajoelhando em seguida para pegá-las. Foi só o que ela viu.

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7 Comentários on "O grande encontro"

  • Carla diz

    É com um grande encontro assim que sonhamos…

    beijinhos

  • Jacaré diz

    Aí ó, só procê falar que o e-mail funciona! :o)

    Classificados Folha neles, Rafa!

  • Rafael diz

    Não é que esse troço funciona mesmo?! Hehehe, valeu Jaca!

  • anninha diz

    Pois é! Mas achei isso triste. (apesar de possível e até provável, sei lá!)

  • anninha diz

    Sim, é com grandes encontros que nós, mulheres, sonhamos. É bom saber que algo passa vagamente pela mente masculina acerca da mesma questão.

    Mas ela só viu alguém abaixando pera pegar as moedas, e não “o” alguém. Isso é triste. Tá certo que daí pra frente vai de cada leitor continuar ou não, né?!

    Gostei, Rafita.

  • Rafael diz

    Pois é, fiquei com medo que ninguém entendesse. Ufa! É claro que ela só viu um cara e não “o” cara, pois “na vida vc nunca está preparado pra tudo”…… foi assim que eu vi história acontecendo.

  • Adorei isso aqui, posso voltar?

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