P.U.B.

(experiência com registro do fluxo de pensamento)

Nunca pensei estar aqui. Uma vida inteira que poderia ter sido e não foi. Às vezes eu me sento na varanda para escrever e tomar os primeiros raios do sol. O sol da vida. Agora, à meia luz, só as sombras me confortam. Aquela vela que olha pra mim; dança lentamente ao sabor da brisa que entra pela janela. A penumbra me abraça enquanto os vultos andam por trás dos copos pendurados ao contrário. Copos de muitas vidas que aqui passaram. Homens, mulheres, passam. Eu nunca me imaginei aqui nem por fantasia nem por nada, mas a noite era esta. Lá fora muitos graus Celsius a menos que a minha confortável e solitária cadeira de madeira. Mogno. Bem escuro. tudo é muito escuro.

Ela passou e me olhou. Pobre coitada, não sabe o que faz. Está sozinha. Eu também. Não posso crer. Não nesse momento. O que pode querer ela com essa dança ?

Nada, foi só um olhar. O ritmo aumenta e eu já não consigo acompanhar. Mal posso ver o que escrevo. A posição da luz projeta a minha própria sombra sobre o papel amassado em que escrevo. Escrevo para não esquecer os pensamentos. Eles não estão aqui, não adianta procurar. Eles estão bem longe e eu cansado, não consigo mantê-los vivos. Preciso de ajuda. Dizem alguns que preciso de amor. Não sei, é uma dúvida ……………………

Nesse tempo que passou ela veio até mim. Não, era outra. Beleza ímpar também, mas era outra. Conversamos um pouco e nada aconteceu. Quem sabe no avançar das horas.

Eu preciso de fôlego. Não sei quanto eu vou aguentar. A chama está diminuindo. Só ela pode me ajudar agora.

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