Coisa de Paulista

Foi um dia desses, mesmo. O filho da minha tia Geni – lá do Rio – e portanto meu primo, bateu na porta de casa. Disse que estava de férias e veio pra ficar “um tempo”. Esta história de “um tempo” sempre soa estranho, mas a gente acaba esquecendo e nem liga. Nesse “tempo” ele conseguiu me achar indo pro trabalho. Pegou as minhas coisas (muito solícito) e veio com uma conversa de queria saber o que era idiosincrasia. Me senti pai, como se meu filho estivesse ali, na minha frente, perguntando tudo, querendo saber o que era isso e aquilo. Foi pior. Como eu ia dizer aquilo? Quando é o filho você até consegue tapiar, dar uma desculpa.

Sentei no sofá da sala, bebi o café e fui explicar da maneira mais simples: peguei o dicionário e comecei a ler. Logo de início vi que não estava surtindo efeito e resolvi exemplificar – exemplo sempre ajuda.

É mais ou menos como essa gente aqui de São Paulo. Calma, eu explico. Os paulistanos são cheios de manias, paranóias, coisas que você só vê aqui mesmo. Vamos supor que você está parado no semáforo, em um cruzamento. Todo paulista está lá, atento ao farol da pista transversal só pra poder saber quando vai abrir o semáforo para a pista dele ou então fica olhando de soslaio para o farol de pedestres. De qualquer forma ele vai estar com o pé na embreagem pronto para o início da corrida; sim, porque todo paulista que é paulista mesmo tem que encarar o trânsito como uma corrida contra o tempo, afinal, tempo é dinheiro.

Paulista que é paulista mesmo anda embaixo do sol forte com sua pasta ou bolsa a tira colo e pode acreditar, é só olhar dentro delas (peça com educação para evitar confusões ou mal entendidos) e você vai encontrar um belo e grande guarda-chuva. Não importa o tempo ensolarado, sempre há uma possibilidade de chuva. Pura paranóia. Idiosincrasia paulistana.

Vamos fazer uma outra suposição pra ficar mais claro. Vamos imaginar que você está andando pela paulista acha a mesma bolsa ou pasta de paulista, que é bem provável pois vocês está em São Paulo na avenida Paulista, e abre pra conferir de quem é. Você vai achar a carteira da pessoa com documentos e dinheiro, mas não é só isso. Abra a bolsa interna e confira. Com certeza, se a bolsa for de um paulista que é paulista mesmo, tem o “troco pro ladrão”. É isso mesmo, um dinheiro pra entregar pro assaltante na tentativa de não deixá-lo irritado com a pobreza da vítima, no caso, você. Além do “troco pro ladrão” também está lá o guarda-chuva (olha só as nuvens cinzas chegando!). Tá me entendendo?

É coisa de paulista mesmo, entende. Ninguém mais se sujeita a ficar horas parado nas estradas pra chegar em uma praia que provavelmente estará cheia de paulistas como você, digo, eu. Idiosincrasia vai mais ou menos por aí, são essas particularidades de cada um. Você tá me entendendo?

Veja como ser paulista é ser idiosincrático. Paulista que é paulista mesmo quando sai pela cidade e para em um bar ou um boteco qualquer só come “dois pastel e um chopps” e acima de tudo odeia tudo do Rio de Janeiro, menos as cariocas e o Cristo Redentor. Entendeu?

Depois disso nunca mais o filho da tia Geni apareceu pra ficar “um tempo” em casa.

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4 Comentários on "Coisa de Paulista"

  • Brasileiro diz

    Carioca cheio de paranóias dormem no chão com medo de bala perdida tem medo de andar na linha amarela e vernelha com medo do bonde , ficam na praia olhando de soslaio para qualquer manifestação, porque pode ser arrastão, paulista anda com o “troco do ladrão” e come dois ou mais “pastel” porque tem dinheiro, coisa de carioca enfrentar horas de trânsito para sair da baixada até a praia, a maioria da população do Rio mora longe da praia!rsrsrs

  • RICARDO CARIOCA diz

    A INVEJA DE VCS É TANTA…QUE VC NAO CONSEGUEM FAZER UMA “HISTORINHA” SOBRE SAO PAULO SEM CITAR O RIO DE JANEIRO…KKKK…EITA INVEJA!!! E AINDA TEM UM IDIOTA QUE TEM A CARA-DE-PAU DE DIZER QUE A MAIORIA DOS CARIOCAS MORAM LONGE DAS PRAIAS…KKK…UM PAULISTA DIZENDO ISSO??? CHEGA A SER ENGRAÇADO!!!

  • Juliana diz

    Estava procurando um poema sobre paulista e acabei achando vc. Namoro com kriok e conheço muito bem o RJ. Vcs passam horas pra chegar nas praias da região dos lagos e chegar lá ser como BZ uma cidade sem qq estrutura com 2 metros de praia. Ir ao RJ é passar raiva pois os krioks maltratam eles mesmo, pq o atendimento em qq lugar e pra qq pessoa é péssimo. Se o RJ fosse tão bom SP naum teria tantos Krioks em busca de oportunidades, pois SP os recebem de braços abertos e lhes proporcionam uma vida melhor mesmo com todos os problemas q essa cidade tem.
    ‘Cariocas acham que são, paulista simpleste é, a máquina que movimenta o Brasil’Arnaldo Jabor(Kriok.
    Vc deve ser o tipico carioca suburbano que se acha e acaba sujando a imagem do RJ.

  • Nívea Resende diz

    kkkkkkkkkk,essas defesas são engraçadas,RJ é maravilhoso,gente que conversa,que bebe,que não tem vergonha de ser como são,mas tem uma educção realmente que faz a gente repensar em muita coisa dependendo do lugar,e SP só serve mesmo pra tentar a vida financeiramente pq as empresas estão lá só por isso,e nficar 2 horas pra chegar na regiao dos lagos e ainda sim e mais perto do que qem vai de sp ate angra.Que bobeira kkkkkkkkk

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