Um minuto

Antes de mais nada, eu gostaria que fosse respeitado, aqui, um minuto de silêncio em homenagem a alguém que certamente foi importante para outro alguém e que, também certamente foi insignificante para você leitor. Porém, faça-se o minuto respeitado.

Reparei um dia desses, atrás, essa coisa de um minuto de silêncio em respeito à morte de não sei quem. Coisa mais besta essa. Minuto de silêncio, horas de silêncio, são os familiares e conhecidos que fazem; ou mais alguém também deve fazer? E se eu nem conhecia a pessoa, que compromisso tenho eu, ou homenagem eu posso fazer ficando um minuto em silêncio? Tudo bem, tudo bem, reconheço que estou sendo um pouco insensível e que como diz a minha avó, “Respeito é bom e não ocupa espaço”, mas vamos ser mais racionais e pensar um só pouco. Talvez seja até um desrespeito você que nem sabe quem se foi ou porque está naquele impasse de respeitar os mortos.

Todo jogo de futebol tem um minuto respeitado – e digo isso só por retórica pois ninguém respeita mesmo – antes do início da partida. Tudo bem, muita gente morre. Tudo bem, ele foi alguém importante pra nação. Mas todo jogo tem um Zé ninguém que foi presidente do sindicato do clube dos gandulas de Ribeirão Pires que morreu e os jogadores, do alto de todo o seu mais singelo respeito páram e ficam quietos antes da partida começar. Pergunte para qualquer um dos jogadores que ali estão, se sabem quem foi o tal que está sendo homenageado.

Esta história de um minuto de silêncio virou a maior carne de vaca – para ser mais popular. Se antes, já se dizia que todo mundo queria seus cinco minutos de fama, agora podemos dizer que todo mundo quer seu minuto de silêncio. É, até na morte as pessoas querem os famigerados cinco minutos de fama, nem que seja apenas um minuto de silêncio. Aposto que em algum jogo prestou-se esta popular homenagem ao relacionadíssimo jornalista Roberto Marinho. Talvez tenham homenageado, também, o Mussum e o Zacarias. O Chacrinha com certeza. Uns são personalidades, outros donos de algum país na América do Sul, mas vamos preservar aqueles, que nada são ou foram, para suas famílias. Esqueçamo-nos da popularidade e vamos para o jogo que ultimamente está deixando a desejar mesmo. Também, com tantas mortes antes dos jogos não existe clima que consiga fazer os jogadores ficarem motivados e felizes, de fato, acho que esse tal de minuto de silêncio antes do começo da partida só piora o clima e faz lembrar de como somos vulneráveis a tudo na vida. Ele piora os jogos. Definitivamente, ele os estraga.

Um minuto de silêncio para quem inventou esse minuto.

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3 Comentários on "Um minuto"

  • Anônimo diz

    Realmente, esse um minuto de silêncio é um falso moralismo, deveriam fazer então partidas inteiras em silêncio, em respeito a todos aqueles que morreram em arquibancadas, vítimas da violência do futebol brasileiro (e, por que não, mundial).

  • Juliana.K@terra.com.br diz

    Esqueci o e-mail…

  • Diego Henrique Minholi diz

    han

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