Mulheres

Primeiro foi a primeira, evidente. Eu chorava muito, não aguentava aquela sujeira toda. Aí ela vinha e me enfiava leite e mais leite. – Esse menino não tem sossego? Só quer saber de comer. Eu ficava todo encharcado, mas também não se pode culpar ninguém por isso. Coisas de primeira viagem. Pelo menos eu ainda tomo leite, meio litro por dia, e sei porquê.

Depois, e foi bem depois, veio a Letícia. Uma menininha encantadora, graciosa, tomou minha atenção por completo e sem saber nada sobre Platão e suas idéias, ele se fez conhecer na forma de amor. Coisa de criança, só observando ………… sem saber o que fazer. Mais tarde eu descobriria que isso aconteceria mesmo não sendo mais uma criança e que algumas mulheres continuariam a me ignorar e eu sem entender porque. Dura lição ininteligível. Achei que depois disso eu iria me adaptar e entender, depois, o que antes havia acontecido. Deveria ter alguma relação com maturidade, não sei.

Ainda longe da puberdade foram muitas as musas na escolinha e ginásio (se é que ainda existe tal nome). Mas a mais imcompreensível de todas foi a Ritinha, lá da rua. A família inteira sempre foi amiga e conspirava para que acontecesse alguma coisa, mesmo sabendo que a gente era muito novo e inocente para tal. Sei que era só por diversão dos adultos, mas a gente levava a sério, mesmo que sério significassem ela dizer que era minha namorada e eu nunca ter podido/conseguido beijá-la. Era namoro sem beijo, depois, um dia, viraria beijo sem namoro. As coisas são assim, quem entende. Com tanto na frente e as mulheres insistem em dar a volta e correr atrás de poeira.

A saga seguiu-se por toda a puberdade, aflita, apressada. O namoro virou caso, que se transformou em “ficar” que virou “beijar”. Que fique registrado: na minha época eu já “ficava”. Não faz tanto tempo assim, mas sabe-se lá por quanto tempo esse texto irá perdurar.

Tudo muito difícil. Elas querem mas não pode ser assim, tem que ser assado. Aí pode, aqui não. Todo dia eu me perguntava porque quem eu queria não me queria, porque era tão difícil “aceitar” o outro. Foi só quando eu fiquei com a Pri que eu tive a certeza: as mulheres, realmente, prestam atenção em outra coisa. Não tinha explicação racional para aquela escolha. A minha pessoa não estava preparada para suportar tanta perfeição, acho que, afinal, nunca estamos preparados. Talvez tenha sido este o meu maior erro: racionalizar o amor.

Mais dias se perderam na batalha imcompreensível entre os sexos, não necessariamente com ele envolvido.

Depois de tudo, eu conheci a Mi e foi uma completa e desenfreada busca pelo caos. Não nos envolvemos além, do mais objetivo processo de acasalamento animal e posterior amizade. Incomum. Ela não tocava no assunto, eu, o mesmo. Impressionante como durou muito mais que qualquer outro relacionamento já vivido. Essa coisa de compromisso está totalmente fora de moda. Hoje as mulheres já não são criadas para serem esposas e tomam suas vidas como deve ser. Ainda acho que essa coisa de “conquistar” o próprio espaço está se perdendo e virando uma simples substituição de papéis, o que as torna homens de saia. Passam a ser fúteis como nós trogloditas egoístas que só pensam em aparência, e satisfação pessoal. Hoje um, amanhã, outro. Esse é bonitinho, esse não. Não gostei do cabelo daquele, esse é m-u-i-t-o feio. Não estão prestando atenção em outras coisas como antes, mesmo dizendo que sim. Os sexos estão cada vez mais próximos e não é à toa que a onda homossexual cresce sobre nossos antigos paradigmas. Já ouvi dizerem que “o mundo é gay”, sinceramente acho que eu tive a oportunidade de passar por uma fase de muitas transformações e já não consigo mais, não tenho forças par entendê-las (as transformações e as mulheres também).

Afinal do que se trata a vida, se não, entender as mulheres?

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8 Comentários on "Mulheres"

  • Pedro Coelho diz

    É fato que elas pensam como nós… com o requinte de crueldade do poder de escolha, que não temos.

  • Nicamu diz

    Para ser mulher é preciso ter muito mais que peitos. Ultimamente, precisa ter peitos grandes e firmes. E outras cositas mais…tb firmes!

    É necessário usar saia e saber cruzar as pernas. Seja qual for o objetivo desse movimento. E as vezes, a cruzada é longa!

    Agora o mais difícil, é harmonizar os hormônios, pq são ELES, os culpados dessa fama de complicadas.

    Ser mulher não é fácil, mas é o máximo!

    Homens, continuem tentando, nós mulheres agradecemos a atenção.

    Bjo Rafa

    saudades

    Oi Pedro amigo da Camila!

  • Rafa diz

    Vê só o que eu disse? Hahahahaha.

    Beijos, Mo.

  • Rafa, esse texto não foi escrito por mim?

    Ok, não foi, mas poderia ter sido facilmente.

    Continuo tomando na cabeça e cada vez mais confuso.

    Parabéns pelo texto.

  • Anônimo diz

    Rafael, a única complicação das mulheres é serem simples. Dá pra imaginar?

    Embora, sabe?… o difícil é chegar ao simples.

    Muito boa a sua crónica.

    Acho que você está no caminho. Você chega lá… Boa viagem.

  • Carol Mariano diz

    Gostaria de saber se o cronista RAFAEL é de Santos?

    Grata.

    Carol

  • Eu gostei! Eu sou mulher (tá, mocinha) mas discordo de certas coisas que vêm se tornando “comuns” entre as mulheres – essas que você citou. Acho que nada é mais interessante e atraente numa mulher do que a sensibilidade. Isso não significa ser frágil, e nem boba. Apenas, sensível. Ótima crônica!

  • Nicamu diz

    Rafa

    Vc fez essa crônica só para chamar atenção da mulherada né?!

    Bjinho

    Mo

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