Coisa mais idiota

Era até motivo de briga, mas não foi. Você é idiota? Ele perguntou. A minha vontade foi de arrancar a ripa do encosto do banco e acertá-lo lateralmente nas ventas com força média, porém certeira, afim de que se fizesse justiça e ele ficasse, alí, parado no chão, convulsivo. Ele era bem maior que eu, com certeza aguentaria até se a força fosse máxima. Isso claro em minha cabeça, comecei a pensar em qual teria sido a coisa mais idiota que eu já fiz nesta mínima e miserável vida.

Caso pareça piegas, sugiro que pare de ler; mas eu acho que foi mesmo…………………………….. a maior idiotice da minha vida, ter deixado a Amanda. Tudo por causa de um par d……………………ela vivia me perturbando por causa de um par de …………….. eu juro que nunca quis magoar a Amanda, mas o futebol de terça é sagrado, né? Tudo por causa de um par de chuteiras que eu deixava largado na lavanderia. Vivia dizendo que eu “não ligava pra ela”, só ligava “praquelas” chuteiras, “que não passava mais tempo nenhum com ela”, “que era capaz de sair com as chuteiras” e deixá-la em casa assistindo novela. Eu amava a Amanda, mas ela bem que mereceu. Onde já se viu privar um homem de sua chuteira? Aqui na “berada” da zona norte isso dá até morte. É verdade, já vi morrer disso aí. É, a Amanda foi idiotice, ela era boa, coitada.

Idiotice mesmo foi roubar playmobil no supermercado. Olha só a que ponto chega a burrice. Eu tinha de 10 pra 11 anos e fomos, eu e uns amigos (não vou citar nomes para manter a integridade moral do Cesinha, Robsão e do Nêga) “guentá” uns “playmobils” no supermercado do bairro. Um monte de moleque, sujo e remelento, entrando sem levantar suspeita alguma. Quanta ingenuidade. No final, mesmo, estávamos dividindo os bonecos no estacionamento do mercado. Tem cabimento? Quanta ingenuidade, quanta idiotice. Mas talvez não tenha sido essa a coisa mais idiota que eu já fiz. Voltando à vaca fria, e por consequência à pieguice, acho que a coisa mais idiota que eu fiz foi acreditar que um dia, amor, sexo e trabalho pudessem caminhar juntos.

Trabalhando éramos muitos, mas pra facilitar vamos ser só nós três, e éramos só nós. Na minha cabeça. Que idiota que eu fui. Primeiro uma. Foi muito bom e parecia que continuaria, mas o deslize veio com a segunda, que não bastasse fosse a segunda era odiada e odiava a primeira. O sentemineto entre elas era recíproco e hipócrita, cheio de sorrisos falsos e tapinhas nas costas. Isso foi idiotice das grandes, abandonar um bom emprego por causa de uma coisa como estas; quem diria que um pós-graduado e duplamente graduado no exterior teria mais uma escola por cursar. A escola da vida é cruel, as avaliações são diárias e você não tem acesso às notas no fim do mês.

Nunca pensei tanto nessas coisas, nunca pensei que uma odiasse tanto a outra, nunca pensei que eu amasse tanto a Amanda, nunca pensei que aquela ripa fosse tão dura. Agora eu tenho bastante tempo pra pensar. É sempre assim, durante o banho de sol eu fico aqui pensando …

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