Terminação

A terminação nervosa inexistente em meu corpo não comporta, mais, indiferença. Por muito esquecida, lá atrás, na infância, ela pede atenção e predisposição para aguentá-la em qualquer posição irritante ou curiosa que esteja. Na sua longa jornada suportou tantos ataques que, pra mim, achava ser a razão da feiúra e dureza de estilo. Não sintia nada assim há muito. Fez parar pra pensar, a mim.

Escrever assim, contorcido, uma mistura de pseudoconhecimento com prolixia, faz-me lembrar daquela época em que eu judiava dela, não que na mesma época eu escrevesse assim, mas era como eu gostaria de escrever, sempre achei um saco ler esse tipo de texto mas achava lindo escrever assim. Que normal, não acham? É, nunca fui assim “normal”. Comecei até, a gostar de ser diferente e fui perceber, anos depois, que todos sempre quiseram ser diferentes uns dos outros. Aí eu queria ser igual. Ai! Ok, eu continuo falando sobre você. Tá certo, sem digressões bobas. Eu sei quem é que manda aqui, mas com você assim, quem consegue se concentrar? Você pode parar de imcomodar, ao menos para eu continuar?

A dor . . . . . . . . essa dor, isso: Essa dor que me abandonara a tanto me dizia muito, dizia- me para ficar e esperar até que tudo fosse resolvido. Tentei até métodos pouco ortodoxos, simpatias mil; e foi só esperando que me dei conta que ela estava ali, mesmo insensível, mas estava ali. Parada. Cumprindo sua função concomitantemente (êta palavra bonita) com a sua tormenta aguda que apunhalava cada movimento brusco feito, eu lembrava dela. Só quando ela conclama a sua existência que você atina como são estreitas as portas, como os corredorers podem ser opressores e como o simples ato de repousar sobre a mesa pode ser incômodo. Um simples trocar de roupas pode ser inesquecível, sem a conotação costumeira, esqueça a primeira interpretação, tudo passou para segundo plano; e agora o que você mais quer é se livrar da dor miserável que você sente.

Ela, a terminação nervosa inexistente em meu corpo, na verdade é ele; não que isso mude alguma coisa, pois a diferença no gênero não pode sequer diminuir a dor. Bate na cadeira do mesmo jeito, enrrosca na camisa e ainda assim continua sendo ele, mas podia ser ela. A dor dele é prima-irmã daquela do dedinho do pé que bate na quina da porta. Mas eu não bati ele hoje, eu simplesmente acordei e ele estava lá……. latejando por atenção. Deve ser alguma inflamação. Tá, eu digo! É apenas um pêlo encravado e eu sou um maricas. Porque você faz questão de me humilhar na frente deles? Não, eu não vou fazer isso não! E quer saber mais? Vai você . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . droga, sai de mim. . . . . . . . . . . . pára. . . . . . . . . . . . seu furúnculo miserável, você vai ver só. . . . . . . . . . . . . . . . ai. . . . . . . . . . . . ow. . . . . . . . . . . . . . . .pára. . . . . . . . . . . . seu joelho mal feito. . . . . . . . . . . . sai daqui. . . . . . . . . . . eu vou arrancar você, daqui, na faca. . . . . . . . . . . Ah!

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1 Comentário on "Terminação"

  • anninha diz

    Sem palavras, Rafa! …a não ser… A-DO-RO!!!

    Belíssimo texto, cada vez melhor, aliás.

    Acompanhando esse seu desenrolar só posso dizer que vc melhora a cada dia, com ou sem “ele”… ou “ela”… já que o gênero não muda nada…

    Bjo gde!

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