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Leve, redonda e brilhante - (28-06-2004)

Foram, apenas, alguns segundos e fez-se a luz. Do Nada à Criação em um instante, suficiente para que aquela imensidão verde jorrasse e seus volumosos sulcos criassem uma nova geração, espontânea. Que aguardou ali, estática, borbolhando nascimento e destruição na cerâmica reluzente – e luz e sombra é o único estímulo sensorial do qual se pode dizer algo de bom – não era chinesa, muito menos rara, mas era um berço esplêndido.

O nervosismo era incontrolável; as mais antigas não aguentavam, umas se deixavam levar, abriam mão de tudo e explodiam sem deixar vestígios. Mas eu sempre acreditei. Desde o nascimento eu já vislumbrava a perfeição da minha criação, um círculo perfeito de finas paredes, mas de resistência ímpar.

Fiquei em um dos cantos, daqueles que se formam no encontro da ponta da parte curva – em forma de “U” – com a parte de trás, reta. Era ali. Muitos segundos se passaram até que a luz tornou-se um clarão, um imenso raio de luz que me ofuscava e ao mesmo tempo me fazia brilhar. Foi um clique, e não se via mais nada além do branco da cerâmica, era tudo o que se sabia da existência: um branco. A expectativa aumentava a cada novo estrondo que retumbava fora da branca patente; permanecíamos à deriva no verde mar que nos suportava. Já não aguentava mais ficar agarrado ao meu corner quando “O Salvador” desceu ao mar, explodindo sob nossas redondas estruturas; atirando, com força incomensurável, todas para cima e quando digo para cima, digo para fora do vaso, para fora da medíocre e instantânea existência.

Claro que nem todas conseguiram; umas até voltaram para o início, agora, acompanhadas de outras novas; mas eu decolei, ultrapassei as fronteiras do inimaginável, não por sorte e sim por mérito – uma linda combinação entre leveza e geometria.

Foi uma longa e incrível jornada até a pia do lavabo onde, até hoje, as mais aventureiras terminaram. Não fui melhor nem pior do que qualquer outra e no fim . . . . . . . . ah! no fim. No fim, fiquei apenas com aquele lindo som na minha memória: “ploc!”



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:: recomende :: comente este texto (4) ::
Zé - jicmendes@gmail.com • 29-06-2005 01:25

Que imaginação borbulhante!

PS: cadê as crônicas anteriores?

Rafael…. • 30-06-2005 01:17

Arquivadas, horas……

Zé - jicmendes@gmail.com • 01-07-2005 03:56

Sim, agora as brumas se afastaram dos meus olhos, e eu as vejo…

anninha • 08-07-2005 10:53

adoro “ploc”

:)

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