Um dia, depois de tudo . . .

Acordou sem idéias. Como se tivessem passados anos e anos conversando com sua sogra; simplesmente não lembrava das coisas, nem mesmo se havia motivo para uma sogra. Era ele, ali, sobre seus pés. Auto-confiança; levantou e saiu para trabalhar . . . . . . . . . . é, tinha que trabalhar, só sabia disso. No ponto de ônibus era trágica a cena de esforço para pegar um ônibus. Um. Dois. Três. Uma “senhorinha” fez sinal, apertando bem a vista para identificar o destino. Aproveitou e subiu. Parecia ser cotidiano aquele carro cheio de pessoas, nem muito cheio nem muito vazio. Ficou em pé, esperando seu ponto.

Desceu depois do tumulto. Foi parar na sua cadeira, era sua cadeira e pronto; não pensou, tentou, mas não pensou. Era estranho, não conseguia pensar, ter idéia alguma sobre nada, o tempo era apenas uma palavra, vazia, sem significado, não sabia o passado muito menos conseguia elaborar um futuro, a não ser que fossem efêmeros 10 segundos. Mal conseguia trabalhar, faltava-lhe concentração, faltava-lhe o ar. Andou para um lado, deslizou a cadeira para outro; foi ao café, foi ao banheiro. Não, não foi. Não sabia onde era o banheiro.

Não trabalhou. Ninguém pediu para ele trabalhar. Era um dia muito típico. Sem reuniões, sem almoços. É . . . . . . . o almoço. Nem se lembrava do almoço, talvez a hora mais feliz do dia – não tinha fome, mesmo. Na esquina, um rosto familiar, uma situação familiar mas sem solução. Estava vagando sem destino pela 5ª avenida, de nada valiam as roupas, o emprego. Na verdade, nem sabia se aquilo tudo era seu; o terno, os sapatos, o rosto. Seu almoço acabaria da mesma forma que teve início, e desesperava-se. Caminhava entre as pessoas como se as atravessasse. Caminhava e chorava inconformadamente. Não ouvia mais nada na rua, nenhum som saía dos seus passos, seu coração estava silencioso. Ele flutuava. . . . . . . . .

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9 Comentários on "Um dia, depois de tudo . . ."

  • Ricardo diz

    Bem louca a sugestão de maximiar a experiência.

    Bacana!

  • diz

    Sim, e da próxima vez podemos incluir um kit de leitura, com trilha sonora, foto, um potinho de cheiro e uma amosta de carpete (para o tato). Cronistas sinestésicos, lá vamos nós!

    (Hehe, desculpe a piada, Rafa, ficou legal, gostei.)

  • malena diz

    é muito estranho se sentir assim…a 5a av. pode ser tranqüilamente a Paulista num dia de semana qualquer…principalmente na hora de atravessar as pessoas.

    : (

  • malena diz

    é muito estranho se sentir assim…a 5a av. pode ser tranqüilamente a Paulista num dia de semana qualquer…principalmente na hora de atravessar as pessoas.

    : (

  • Rafael diz

    pois é……. Ficou meio feio Av. Paulista aí resolvi que seria a 5a av. mesmo……rs

  • diz

    Mamute, Mamute… onde está seu nacionalismo?

  • diz

    Por falar em atravessar, já faz tempo que me sinto atravessado.

  • Van diz

    Hj eu vivi seu texto de verdade…

    quase morri atropelada na paulista. Eu tinha certeza que ia sair flutuando… beijos,van

  • vanessa diz

    Quando o coração esta silencioso, todo o resto também esta. E “um dia, depois de tudo…” ele vai querer gritar!

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