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A verdade sobre a beleza - (10-11-2005) Era uma vez uma cidade muito, muito bonita em um lugar muito, muito distante onde tudo era lindo e nada era feio. A população seguia as apolíneas tradições venerando tudo que era belo, tudo que era agradável aos sentidos. E assim é que era… Todos trabalhavam duro sem perder de vista o que mais dignificava o homem (depois do trabalho): a beleza. Consequentemente as pessoas eram muito preocupadas com a saúde, e faziam do culto ao corpo uma diversão que era quase obrigação. Na cidade muito, muito bonita tudo era como ela, tudo perfeito e muito, muito bonito às luzes da ribalta. Foi em um dia ensolarado, de temperatura amena, com passarinhos chilreando que Fernando, alto, bronzeado, de porte atlético e gentil (depois de muito, muito esforço; um homem muito, muito mudado), encontrou Clarice – sua antiga amiga de infância e impressionantemente a atual mulher mais bonita da cidade muito, muito bonita, muito muito mudada; lá em um lugar muito, muito distante. Clarice estava maravilhosa. Cabelos longos, castanho-claro e com médio volume, davam formato àquele rosto angelical de nariz fino e lábios carnudos. Convidativos. Seu corpo era escultural. Seios, nem grandes, nem pequenos, tiravam a atenção daqueles que atraídos pelo reto abdômen ficavam perdidos no quebrar dos quadris de Clarice. Suas coxas eram desejáveis obras de arte não assinadas. Um verdadeiro convite à descoberta da autoria. Tudo isto coberto por uma alva e fina seda a que chamava de pele. Foi amor à segunda vista. É……..porque Fernando estava deslumbrado com uma Maserati Spyder GT muito, muito irada que passava naquele instante. Mas logo viu que nada se comparava à beleza de Clarice. Por dias os dois se encontravam nos lugares mais comuns, academia, clínica de bronzeamento, cromoterapia. Tomaram inúmeros cafés enamorados nas saídas para lipoescultura e drenagem linfática. Uma corridinha aqui, um peeling químico ali, depois uma conversa romântica na sessão de invel (cada um na sua maca, afinal Clarice era moça de família). E o momento certo finalmente chegou: ia ser no dia do preenchimento com ácido hialurônico; depois desse dia só restaria a semana da bioplastia. Não houve dúvidas, agora, o casal mais lindo da cidade muito, muito bonita, decidiu pelo casamento; nada poderia dar errado, teria que ser maravilhoso e foi. A cidade em festa, os padrinhos lindos – corredores, triatletas, jogadores, todos esportistas; tudo saiu como tinha que ser. O resultado foi instantâneo, em poucos meses já se via desfilar a grávida mais bonita da cidade muito, muito bonita que ficava ali depois do rio à esquerda, em um lugar muito, muito distante. O bebê do casal, outrora migrados, foi mais aguardado que copa do mundo e no dia do nascimento todos os jornais estavam prontos para notíciar o acontecimento. O parto não foi fácil, houve complicações de ordem de competência. Não havia um obstetra na cidade. A sorte foi que um cirurgião plástico que estava dando plantão tinha um primo na cidade vizinha – que também era muito, muito distante, mas não dali – e conseguiu buscá-lo a tempo. Tudo pronto, nasceu o filho de Fernando e Clarice; e ainda na mesa de cirugia os dois se entreolharam e lembraram da infância (cada um da sua) e de como a genética nunca mente. |
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Kris - link - kris@cronistasreunidos.com.br 10-11-2005 11:28
Plástica no rebento!!! |
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Murilo Boudakian Moyses - murilo@cronistasreunidos.com.br 10-11-2005 12:10
Que maravilha! |
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flavio - fsrc@telnet.com.br 11-11-2005 01:57
adorei esta crônica, apesar de ter demorado p/ entender,hehehehe. abs e bjs a todos flávio |
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Zé - jicmendes@gmail.com 11-11-2005 03:10
Muito, muito hialurônica! |
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Ricardo - link - ricardo@cronistasreunidos.com.br 22-11-2005 03:10
Muito bem escrito, Mamute! O lance da Maserati também foi de tirar o chapéu! haha |