Na labuta

Se a intenção era escrever, comecei. Já não era sem tempo. Pois sempre falta um tema pertinente. Você começa a escrever e sempre perde o fio da meada, ou a auto-crítica acaba por amassar o papel e jogá-lo longe. Sim eu ainda escrevo em papel; é…com lápis ou caneta, rabiscos, furos, assim: romântico e ao mesmo tempo viceral (vai rabiscar uma frase que você achou uma merda, lá no computador, vai).

Descobri, também, que não só gosto de escrever em papel como também gosto de escrever sozinho. Logicamente que escrever sozinho é uma redundância pois a escrita tem seu charme exatamente no fato de disponibilizar este encontro íntimo autor-obra. Repare que não está no plural.

Escrevendo, e só escrevendo, você percebe o quanto isso desenvolve, por exemplo, a inteligência. Você pode escrever sobre alguém muito inteligente talvez um Nobel de física. Escrever desenvolve suas habilidades sociais. Um copo de cerveja, amigos, você vai escrever como nunca.

Por conta de escrever você acaba criando um certo senso crítico captador de temas e é aí que você pode sofrer baixas. Se por algum motivo seu senso crítico captador de temas ficar confuso ou incomunicável, você acaba despejando-desperdiçando muitas letras e energia falando sobre coisas que nada interessam. Isso costuma ter uma frequência inimaginável e se tradz em um termo bastante explicativo e portanto claro: picaretagem crônica (ou vice-versa). Nos idos da ditadura (já vai tarde!) espaços ocupados por receitas e poesias eram usados…bom você deve conhecer esta história; mas só que você não percebeu é que uma poesia ou receita ocupavam com louvor o lugar de muitas colunas e/ou textos que hoje estão aí: picareteando.

Porque não acabar com isso, porque os jornais têm que ser imensos, porque as revistas têm que ser semanais? Escreve quando tiver o que escrever e pronto! Ah! e quer saber? Acho que já deu o número de caracteres da minha coluna semanal e vou acabar aqui mesmo. Tô de saco cheio dessa vida! Tchau.

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9 Comentários on "Na labuta"

  • Rafael.... diz

    n‹o misturemos as coisas!

  • diz

    De acordo com uma crônica anterior, deve ser possível comprar picaretas na cidade de São Paulo às três de manhã.

    E antes que eu me esqueça, “Squish” é uma obra-prima do concretismo em forma de crônica!

  • Paulo diz

    Zé,

    Concordo. Arte às vezes é vista como picaretagem porque o mundo não está preparado para o verdadeiro tapa na cara que elas desferem. Mas deixemos isso de lado e nos concentremos no texto em pauta. Ele é picareta? Ou um elaborado exposeé do submundo sórdido de pretensos artistas? Hum. No lo sé. Mas está bem-humorado!

  • Murilo Boudakian Moyses diz

    Hum, vou comprar uma picareta.

  • Kris diz

    Mais uma para a coleção…vai fazer companhia para squish…

  • aeee!

  • diz

    Penso que se trate de uma reflexão auto-reflexiva de um autor em busca de um tema, de um texto, de si mesmo.

  • malena diz

    gostei do texto! mas se não houver um prazo pra entregar certas coisas…vai ficar tudo tipo as crônicas do Leo em Cuba! Imagina a Folha ou o Estado saindo uma vez por semestre? Heheheh…

  • diz

    Por falar em Nobel, para quando é o nosso?

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