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Sindicato - (16-12-2005)

Cinco para a meia noite. Eles já não suportavam mais! Seus caminhos estavam traçados de uma maneira tortuosa, sem volta, não viam possibilidades de mudanças. Trabalhavam o ano inteiro, jornadas diárias de 8 horas, viva a CLT (que Deus a tenha!). Mas trabalhar de final de semana, feriado, trabalhar na época de Natal e agora, ali, nas vésperas; sem ver a família, sem poder comemorar. Onde estava o espírito natalino? E a solidariedade, a confraternização?
- Que confratenização que nada, eu vejo vocês o ano inteiro, inclusive final de semana, porque eu deveria me confraternizar com vocês? Pra mim chega!

- É … pra mim também. Fazer o meu trabalho, o dos outros e ainda assim ganhar o equivalente a prestação de favor, o que é isso?

No outro canto…

- Eu não aguento mais essa palhaçada! Quando nós vamos ter respeito e profissionalismo aqui dentro! Eu que só deveria empacotar, agora tenho que empacotar, dividir e encaminhar para a expedição…eu sou um só!

Lá no fundo se ouvia…

- Vocês não sabem o que é ficar aqui esperando a decisão alheia para ver se eu continuo fazendo ou paro tudo. Já estou aqui ha 30 minutos e nada!
- E você não sabe o pior: me ligaram agora – cinco pra meia noite – para eu vir aqui trabalhar. Sem respeito nenhum, acordaram minha esposa e meus dois filhos porque precisavam de mais gente na montagem.
- Pois é…época de Natal é assim, todo mundo quer faturar, ninguém quer pagar e ainda te desejam Feliz Natal. Hipocrisia.
- Hipocrisia, nada; é cara-de-pau mesmo! Tanto tempo trabalhando aqui e nem férias eu posso tirar direito.

Perto do maquinário…

- A gente precisa se impor, dizer que não dá mais. Não é queståo de ganhar aumento – que disso eu nem faço questão -, é ganhar qualidade de vida; tempo pra ver os filhos, tempo pra namorar.
- É, eu que o diga! Não consigo ter vida social, não saio de casa nos fins de semana (quando não estou aqui trabalhando), não vejo, nem conheço pessoas novas e ainda por cima me cobram porque eu não casei. Mas como se eu sou praticamente um heremita?
- Precisamos nos unir! Vamos criar um sindicato, uma organização, algo que nos represente e faça valer nossos direitos.
- Ok, deixa que eu falo com o “homem”.

Já no escritório…

- Precisamos acertar as coisas, não dá mais pra fazer três funções e ainda assim ficar motivado. Não tem como mostrar competência e nós nem ao menos ganhamos pra isso. Você precisa resolver isso de uma vez por todas. Sem essa de baixar custo às nossas custas, ou então…, ou então …é greve!
- Todos estamos exaustos; eu, vocês, as renas; mas por favor, compreenda: uma greve agora seria o fim do seu natal, do meu, de todo mundo. Eu sei que tenho sido desatento quanto à organização dos processos e relapso quanto à motivação dos meus funcionários, mas vocês devem compreender que antigamente eram poucas e hoje, só na China, são quase 700 milhões de crianças esperando seus presentes!



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:: recomende :: comente este texto (4) ::
malena • 16-12-2005 05:01

hehe, uma ótima crônica de natal!

Zé - jicmendes@gmail.com • 19-12-2005 04:37

O bom velhinho sobreviverá ao socialismo de mercado?

Ricardo - link - ricardo@cronistasreunidos.com.br • 20-12-2005 01:16

Bom Velhinho, My ass! haha

Murilo Moyses - murilo@cronistasreunidos.com.br • 20-12-2005 01:44

Ta certo! Tem que trabalhar!

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