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Duas - (21-03-2006) Eram duas na mesa, uma de frente pra outra. O jeito lânguido que a da direita apoiava o fino queixo no punho, semicerrado e flexionado, fazia pender minha apatia. Seu sorriso quente e honesto…é, honesto; daqueles que escapam sozinhos não por um motivo, por nada, sincero; esse sorriso…enchia a mesa. E só tinham duas. A cabeça pequena, ereta, com cabelos lisos e castanho-claros balançava vez ou outra no ritmo da conversa. O colar caÃa sobre o seio em matizes azulados destacando aquele busto delicado e convidativo, nem farto, nem pouco: voluptuoso. Suas costas inclinavam e se contorciam toda vez que, por graça, ela sorria. A mini-blusa branca mal cobria a região lombar. Na mesa, um copo com suco dava a dica do gosto delicado: devia ser cupuaçu. Na esquerda, um gingar de cabeça repetia um movimento lento que concordava com quase tudo o que se dizia. Pelo menos era o que parecia. Cabelos cacheados até a altura dos ombros, nada muito moderno; um corte de cabelo clássico, contido. Olhos atentos e amendoados abriam suas pupilas para cada palavra que saÃa da boca alheia. Com atenção estudantil discorria teorias e fatos que nem ouso bisbilhotar. Parecia interessante. Uma mesa duplamente sensual, exalando charme, beleza e porque não, desejo. De corpo esguio e mais delicado, ela poderia estar desfilando uma série de assuntos sobre magreza, dietas e exercÃcios, mas algo no olhar da outra dizia que era muito mais interessante que essas frivolidades da modernidade. Ali, naquela mistura de fofocas com polÃtica, surgiu um pedido simples: coca com gelo e limão. Foi o pedido mais delicioso e demorado que o garçom já fez, teve, deu saÃda, anotou, ele nem sabia por onde começar; pobre coitado, hipnotizado pela serpente do desejo, desculpou-se três vezes antes de conseguir escrever coca. Quanto mais demorava, mais interessante ficava. Um misto de tranqulidade e luxúria cercava a mesa que, dali do canto, parecia flutuar. A situação ficava incontrolavelmente deliciosa para o público que só faltava parar na calçada para amarrar o cadarço do chinelo. Na direita, ela estendia a palma da mão por sobre os cabelos cacheados da esquerda que retribuia com lascividade o gesto tocando o rosto delicado e afinado. Olho nos olhos, o perfume de uma já pertencia à outra, cada coração em volta palpitava acelerado esperando o momento que a distância entre elas fosse extinguida de forma corajosa em um beijo que libertaria uma população inteira de sofredores efêmeros, ansiosos e até angustiados. Era assim que tinha que ser. Quem sabe em um outro texto! |
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Murilo Boudakian Moyses - murilo@cronistasreunidos.com.br 21-03-2006 08:06
Aeeee!!!!!! |
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Zé - link 21-03-2006 11:24
Credo, até passei mal… |
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Ricardo - link - ricardo@cronistasreunidos.com.br 22-03-2006 04:35
Parabéns, Mano! Vai descrever bem assim tudo isso, lá no … Muito bom! |
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Zé - link 31-03-2006 01:45
Duas pra mim também!! |