Almoço da “firma”

Que o leitor não se deixe enganar, funcionário é funcionário em qualquer lugar. Na rua, na chuva, na fazenda, onde existir um patrão, vai existir um funcionário; e onde existir um funcionário vão existir os boatos. É… os boatos! Porque sabe uma coisa que divide os funcionários dos patrões? Se você disse boatos, errou. O que divide os dois é o dinheiro, sim; o dinheiro. Quem tem de quem não tem, ou de quem quer ter, seja lá como for. Caso este que; todo, eu disse, todo funcionário tem algo a reclamar, afinal o ser humano é insaciável por natureza (aqui cabia um comentário de algum filósofo… é, algum filósofo já deve ter dito isso um dia).

Enfim: das insatisfações alheias surge sempre a vontade de conversar e falar sobre o que está acontecendo, uma necessidade de se expressar que é intrínseca aos humanos (olha outro filósofo que perdeu a citação por falha de memória do autor). Dessa necessidade surge a compactuabilidade dos envolvidos e que finalmente culminará em um: almoço da “firma”. Firma, sim, porque não importa onde você trabalhe; se você trabalha, você trabalha em uma “firma”.

O famigerado almoço em questão é nada mais nada menos que o celeiro dos boatos: se existe algo pra ser dito, fatalmente será dito em um almoço. Você dono de empresa, micro-empresário, patrão em geral, que me lê neste segundo pode dar seu testemunho se for, agora, a hora do almoço. Faça assim: ponha sua mão esquerda sobre a orelha do mesmo lado e sinta se não há um certo ardor neste pequeno órgão auditivo? São nos almoços, aqueles que você menos se importa, aqueles do dia-a-dia que as coisas acontecem, que pessoas ficam grávidas porque fulana falou de ciclana que soube de beltrana que a Teresinha engravidou, mas não falou pra ninguém porque tem medo de ser mandada embora; que os salários são reivindicados, que as injustiçadas promoções são choradas, que a falta de reconhecimento e desmotivação são comparadas, que as verdades são ditas. Não me espantaria saber, a esta altura da minha vida, que a Revolução Francesa nasceu de um almoço sans-cullote, ou que Antonio Conselheiro, cansado de comer cabra ensopada, resolveu falar sobre a República na hora da prece que antecede a refeição aqui referida.

É no almoço da “firma” que se conhece quem tem calça curta ou comprida, quem é republicano ou quem é ‘monarquista’ (sabemos que não era exatamente esta a postura canudense, por assim chamar), quem ‘tá junto’ de quem ‘tá contra’. Muito se fala, muito se ouve e acima de tudo, muito se compartilha. Uma terapia de grupo casual onde o que importa é falar mal e se tiver alguém infiltrado, seus dias estarão contados porque “se você não é um de nós; você é um deles”! Quer saber como melhorar a sua empresa? desculpe, quer saber como melhorar a sua firma? Pergunte-me como! Almoçe com seus funcionários. Não, não… se você for junto nada será dito, pois não será um almoço da firma, afinal. Mas você sempre pode ir à um happy hour da firma. Quem sabe em um outro texto!

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5 Comentários on "Almoço da “firma”"

  • diz

    Mas as mães dos funcionários não disseram para eles que é feio falar de boca cheia?

  • Murilo Boudakian Moyses diz

    Fantástico, daqui a pouco estará escrevendo livros.

  • Genial, Mamute! Diria que você está numa fase muito boa! Vários dribles no leitor, e ainda sim jogando pra torcida!

    Parabéns!!

  • Kris diz

    Tantas vezes com fome no trânsito e o step lá dando sopa. Ou biscoito.

    Fantástico, hilário.

  • malena diz

    maravilha. exato. muito bom. por isso q qdo eu for patroa meus funcionarios nao vao almoçar. hahahahahaha

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